Durante a última semana, não houve assunto que mais chamou atenção e gerou comoção e manifestações em Franca que a morte de uma comerciante de apenas 21 anos. Núbia Ribeiro Duarte, moradora do Jardim Portinari, foi encontrada em uma estrada de terra, perto de Patrocínio Paulista. Estava com um ferimento profundo na cabeça, uma facada no rosto e o corpo parcialmente queimado.
Núbia estava desaparecida desde o domingo. Na segunda-feira, a Polícia Civil começou a investigar e logo chegou até o desempregado Italo Vinícius Neves, 32, acusado de “sumir” com o Honda Civic da vítima. Ele logo apontou o auxiliar de mecânico, Leonardo Gonçalves Cantieri, de 20 anos, como um dos supostos responsáveis pelo crime.
Há alguns meses, o auxiliar teria tido um breve relacionamento com a comerciante e, em mensagens enviadas por ela a uma amiga, os policiais descobriram que o jovem marcou de se encontrar com Núbia no final da noite de domingo, antes de seu desaparecimento. Segundo a polícia, alegou estar solteiro e que gostaria de vê-la.
Através de Leonardo, outra revelação: o possível envolvimento de sua namorada há mais de um ano e dois meses, a estudante de Direito Lauany Viodres do Prado, 20. Descrita como “ciumenta, fria e calculista” pela polícia (leia mais em texto nesta página), ela seria a mentora do crime e teria participado após ver o namorado procurando Núbia mais uma vez, dias antes de sua morte.
“A acusada, inclusive, foi com uma amiga até o brechó que Núbia tinha, há dois meses, para reclamar por conta do namorado”, disse o delegado Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Na segunda-feira, o casal fugiu para Itaú de Minas (MG) e foi preso na quinta, sendo recolhido à Cadeia Pública do Jardim Guanabara, onde permanecerá por pelo menos 30 dias. Italo já está preso por tráfico de drogas e também pode responder pela morte de Núbia.

Leonardo, 20, o pivô
Leonardo Gonçalves Cantieri, 20, é apontado como o pivô do crime que ceifou a vida de Núbia Ribeiro. Segundo pessoas próximas, o jovem, que trabalhava como auxiliar mecânico, é de família trabalhadora, que está transtornada com o envolvimento dele na morte da vítima, com quem teria tido um breve caso.
Namorando Lauany há um ano e dois meses, Leonardo foi descrito pelo delegado Márcio Murari como alguém que aparenta estar arrependido. “Ele é mais submisso a Lauany e passivo, pois ela pagava até o aluguel do apartamento onde eles moravam, no Parque das Esmeraldas, há dois meses. É usuário de drogas e conheceu Italo através disso”, disse.
Em março deste ano, o casal e outras duas pessoas foram presos por furtar um trator em Pedregulho. Eles conseguiram a liberdade provisória. Pouco depois, segundo a polícia, Leonardo saiu da casa da família, na Vila Rezende, e foi morar junto com a namorada.
Mas isso, segundo a polícia, não teria impedido o jovem de procurar Núbia diversas vezes, até mesmo no sábado anterior ao crime, e atraí-la para matá-la. “Ele nega que tenha feito isso. Disse que a namorada esfaqueou Núbia e que levou a vítima desacordada até Italo para que ele resolvesse”, afirmou Murari.
Lauany, 20, a namorada
De estudante do 2º ano de direito da Unifran e moradora do Jardim Barão para acusada de matar a rival. Lauany Viodres, 20, é filha de advogada e, segundo conhecidos, tinha tudo para seguir caminho diferente.
Namorada de Leonardo há um ano e dois meses, a jovem foi descrita pelo delegado Márcio Murari como “fria, calculista e cheia de si”. Uma colega de faculdade de Lauany disse que a acusada não tinha o hábito de interagir com muitas pessoas. “Ela ficava só no celular e não entrosava muito. Era distante. Após ser presa pelo furto de trator, isso ficou mais evidente. Parecia se envergonhar do que fez.”
O relacionamento com o auxiliar, descrito como conturbado por amigos de Leonardo em redes sociais, ficou mais sério e eles passaram a morar juntos no Parque das Esmeraldas. Mas não foi suficiente para que o ciúme diminuísse, contam conhecidos do casal.
Segundo a polícia, Lauany chegou a procurar Núbia semanas antes do crime para reclamar por causa de Leonardo. No domingo, de acordo com o depoimento do namorado, teria desferido a facada no rosto da vítima e atuado diretamente em sua morte. Ela, por sua vez, negou envolvimento e jogou a culpa em Leonardo e Italo.
Italo Neves, 32, o amigo
Italo Vinícius Neves tem 32 anos. Parte deles, segundo a polícia, ligada ao uso de drogas e ao mundo do crime. Morador da Vila Raycos, afirmou ser responsável apenas por levar o Honda Civic de Núbia Ribeiro, do Parque das Esmeraldas até a rodovia Nelson Nogueira, e queimar a bolsa da vítima. Mas, para a polícia, ele pode estar envolvido com o assassinato.
Além de responder dois processos por furto, Italo foi indiciado e preso em flagrante neste ano por receptação. Em agosto, participou de uma audiência por esse crime e aguarda um desfecho. Também é investigado por roubo em postos de combustíveis. Segundo o delegado Márcio Murari, ele e Leonardo possuem um vínculo há algum tempo, pois usariam drogas juntos e adquiriam os entorpecentes na Vila São Sebastião.
Atualmente, Italo está preso por tráfico de drogas, graças a um mandado de prisão expedido recentemente e cumprido na última terça-feira. Ele segue na Penitenciária de Franca e deve participar de uma acareação com os outros dois acusados. “Colocaremos os envolvidos frente a frente para confrontá-los sobre suas versões sobre a morte da Núbia, pois o Italo foi apontado pelo casal como o responsável por grande parte do ocorrido”, disse o delegado Márcio Murari.
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