Mousse de goiba


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 12 goiabas
 1 xícara de açúcar
 1 xícara de leite condensado
 1 xícara de creme de elite
 1 envelope de gelatina vermelha  sem sabor
 ½ xícara de leite
 
Aruaques, também conhecidos como aravaques e arauaques, são numerosos grupos indígenas da América, cujos idiomas pertencem a uma família que já agrupou 74 línguas. Arauaque tornou-se um gentílico, palavra de pertencimento, mas na verdade ela é definidora daquilo que sustenta o corpo, o funcionamento do organismo. Significa “comedor de farinha”. Sim, eles também tinham na mandioca e derivados a base de sua subsistência. À época do descobrimento os aruaques viviam em diferentes partes da América do Sul, como Bolívia, Colombia, Guiana, Paraguai, Peru, Venezuela e Brasil. Em nosso país eles se encontravam dispersos pela Amazônia. Praticantes da agricultura, da pesca e da coleta, produziam uma cerâmica extremamente rica em adornos e pinturas brancas, negras e amarelas. Mas não conheciam nenhum tipo de escrita, segundo crônica de viajante que passou pelo Brasil em 1587. Os arawak foram os primeiros ameríndios a ter contato com os europeus. Quando Crist óvão Colombo chegou à ilha que denominou Hispaniola, em 12 de outubro de 1492, o navio atraiu a atenção dos nativos que, maravilhados, foram ao encontro dos visitantes, a nado. Depois, Colombo e seus marinheiros desembarcaram, armados com suas espadas e falando uma língua que os locais jamais tinham ouvido. Entretanto, estes ofereceram aos estrangeiros comida, água e presentes. Mais tarde, Colombo escreverá em seu diário de bordo:
 
“Eles nos trouxeram papagaios, trouxas de algodão, lanças e muitas outras coisas que trocaram por contas de vidro e guizos. Trocavam de bom coração tudo o que possuíam. Eram bem constituídos, com corpos harmoniosos e feições graciosas. [...] Não usavam armas, que não conheciam, pois quando lhes mostrei uma espada, tomaram-na pela lâmina e se cortaram, por ignorância. Não conheciam o ferro. Suas lanças são feitas de cana. Dariam bons criados. Com cinquenta homens, poder-se-ia submeter todos eles e fazer deles o que se quisesse.”
 
Ah, os bárbaros. Quem seriam de fato eles? Começava ali o processo cruel de dominação dos invasores, que contaram com a índole pacífica dos donos da terra. 
 
Trago para esta página os arauaques porque foram eles que apresentaram aos europeus a goiaba, a que chamavam guayabe. A reunião destas sílabas semanticamente leva à ideia de “agrupamento de muitos caroços”, alusão certeira à grande quantidade de sementes da fruta. Espanhóis e portugueses não a trataram com o respeito devido, até que a produção de açúcar no Nordeste levou à adaptação das marmeladas europeias com a utilização da goiaba do Novo Mundo. Foi um sucesso a descoberta: em lugar do marmelo, a goiaba podia dar um doce ainda mais saboroso ao paladar e mais belo pela coloração. 
 
A maior parte dos nossos pomares está localizada no Estado de São Paulo, mas às margens do rio São Francisco, a cidade pernambucana de Petrolina e a baiana Juazeiro também se destacam na produção da fruta, que gosta de clima quente e é rica em vitamina C (com quantidade quatro vezes superior à da laranja e do limão) e em licopeno (substância de cor vermelha que age contra os radicais livres). 
 
Mas nem só para a goiabada serve a goiaba. É usada também para fazer compotas, geleias, sucos, sorvetes, doces. Virou ingrediente para um molho agridoce industrializado que se parece muito ao catchup. E pode ser a base de uma mousse fácil de ser preparada e que tem bonita apresentação, graças à maravilhosa cor da fruta. 
 
Faça antes a compota, que servirá para a cobertura. Lave bem e descasque 6 goiabas maduras mas firmes. Corte ao meio e retire as sementes. Passe estas pela peneira, usando uma xícara (chá) de água. O suco assim obtido servirá para dar consistência à calda. Leve o suco com as metades das goiabas e a xícara de açúcar ao fogo e deixe ferver em chama baixa por meia hora. Assim que a calda engrossar e as frutas estiverem macias, desligue e reserve. 
 
Para a mousse, lave bem e corte com casca e sementes as seis goiabas grandes. Leve os pedaços ao liquidificador, junte meia xícara de água e bata bem. Passe a massa obtida por uma peneira. No copo do liquidificador reúna esta polpa, uma xícara de creme de leite, outra de leite condensado. Bata por um minuto. Numa tigelinha dissolva em leite morno o pó da gelatina vermelha sem sabor e junte à mistura do liquidificador. Bata por mais um minuto. Despeje em taças e leve a gelar. Antes de servir cubra com a calda da compota, um pedaço da fruta e uma pelota de requeijão. 

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