Grávidas com trombofilia estão sem medicamentos


| Tempo de leitura: 2 min
Em grávidas, a trombofilia pode matar o bebê ou a mãe
Em grávidas, a trombofilia pode matar o bebê ou a mãe
Grávidas que sofrem de trombofilia reclamam que não estão conseguindo retirar, nos postos de saúde da Grande São Paulo, a injeção que deve ser aplicada todos os dias durante toda a gestação para evitar riscos ao bebê e à mãe.
 
A trombofilia é a possibilidade de desenvolver trombose devido ao aumento de coagulação do sangue, o chamado sangue grosso. Em grávidas, a trombofilia pode matar o bebê ou a mãe.
 
A dona de casa Érica Ferreira, 27 anos, não consegue retirar as injeções de enoxaparina, que age como um anticoagulante, nos postos de saúde de Mauá (região do ABC Paulista), onde mora. Ela está no quarto mês de gravidez e teme perder o bebê, como já aconteceu nas suas duas primeiras gestações.
 
Na terceira gestação, da qual nasceu Samuel, Érica tomou as injeções durante sete meses e 40 dias após o parto. Hoje, Samuel está 2 anos e seis meses.
 
"Eu consegui injeções para 30 dias durante o mês de agosto. Agora não consegui mais", afirmou Érica.
 
A professora Vanessa Amorim da Silva, 33 anos, grávida de cinco meses, também está com dificuldade de encontrar a medicação nos postos da capital, onde faz o pré-natal. Ela já perdeu um bebê durante a gestação em 2015. "Eu consegui para o primeiro mês. Mas no mês passado eu tive que comprar por R$ 3.130, com a ajuda do meu pai e do meu irmão. Na semana passada consegui uma doação para 20 dias", afirmou Vanessa.
 
Grávida de quatro meses, a dona de casa Tamires de Sousa, 26 anos, disse que não encontra a injeção nos postos da capital desde o mês passado, quando acabaram as injeções. Ela procura todos os dias no site Aqui Tem Remédio, da Prefeitura de São Paulo, mas sem sucesso.
 
"Tive que comprar dez injeções por R$ 380 e ganhei mais 20. Estou vivendo assim, cada dia pensando que as injeções vão acabar. É muito angustiante viver essa situação", afirmou Tamires.

OUTRO LADO
A Secretaria Municipal da Saúde, da gestão João Doria (PSDB), disse que vai multar a empresa responsável pelo atraso na distribuição da medicação enoxaparina em São Paulo. Segundo a secretaria, a entrega foi feita nesta semana e a distribuição às farmácias da rede municipal está sendo feita em caráter emergencial. A estimativa é que as farmácias estejam abastecidas até a próxima semana.
 
A Prefeitura de Mauá, da gestão Atila Jacomussi (PSB), disse que a enoxaparina não faz parte da Remume (Relação Municipal de Medicamentos Essenciais) da cidade. Porém, disse que oferece heparina sódica 5.000 UI, que consta na Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais). O Ministério da Saúde disse que os Estados e municípios têm autonomia para incluir o remédio em sua lista.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários