Turma da Mônica ganha versão em carne e osso


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Os quatro atores que viveram os personagens principais do filme
Os quatro atores que viveram os personagens principais do filme

Guilherme Genestreti
FolhaPress

Em vez de cabelos que parecem ramos, Cebolinha ostenta uma franja comprida. Magrela, Magali está com cara de nervosa. Cascão é quem berra primeiro: "Caraca!". É que elas topam com Mauricio de Sousa, bonachão: "Bem-vindos ao bairro do Limoeiro".

Não se trata aqui de uma situação em que o cartunista aparece no próprio gibi. É bem o oposto, na verdade. Os atores Giulia Barreto (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Gabriel Moreira (Cascão) e Laura Rauseo (Magali) acabam de saber, da boca do próprio Mauricio, na última quarta (27), que foram os escolhidos para viver a primeira versão em carne e osso dos personagens, no filme "Turma da Mônica -Laços".

Como o nome sugere, o longa tem por base a HQ "Laços", romance gráfico dos irmãos Cafaggi que recauchutou o universo de Mauricio. Na trama, os garotos precisam achar Floquinho, o cão de Cebolinha, que sumiu.

Quem assume a direção é Daniel Rezende, de "Bingo". "Sempre me perguntei por que os personagens da Turma da Mônica nunca tiveram uma versão em filme", diz o diretor. "Quando li o 'Laços', é que tive o estalo de como eles poderiam ser de verdade."

Coincidência. Mauricio também queria levar esse gibi específico para o cinema. Quando Rezende soube, foi bater à porta do cartunista.

Sete mil crianças foram testadas até sobrarem os quatro -todos com 9 anos, salvo Kevin, 11. Gabriel é o único carioca do grupo; os outros vêm de São Paulo. Rezende dá pistas sobre o potencial que viu em alguns deles. "Gabriel é espoleta. Já Giulia é doce, mas quando ela fica brava..."

O filme deverá chegar aos cinemas em junho de 2018. As filmagens começam entre dezembro e janeiro. Antes, Rezende ainda dará uma passada em Los Angeles para fazer a campanha de "Bingo" no Oscar. O filme é o candidato brasileiro ao prêmio.

Ao contrário de "Turma da Mônica", "Bingo" é um filme adulto: tem sexo, palavrão, droga... Mas seu retrato sobre a TV nos anos 1980 também apela à memória afetiva de Rezende. "Devo ter algum problema mal resolvido na infância", brinca o diretor.

Mauricio conta que ainda não viu "Bingo". "Mas quero muito." Do trabalho de Rezende, conhece as obras como montador: "Gostei muito do 'Cidade de Deus'", diz o criador da Turma da Mônica.

Afirma que vai dar liberdade criativa total ao diretor. E que já nutre planos de outros filmes. "A ideia é bem antiga."

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