Só podem estar de brincadeira


| Tempo de leitura: 2 min
SENADORES ‘CRIAM’ FUNDO ELEITORAL E JÁ SE MOVIMENTAM PARA SALVAR AÉCIO NEVES
Quando afirmamos aqui que a classe política brasileira está brincando com a cara do eleitor, talvez por considerá-los sem importância, não é mera implicância. Nos últimos meses, os nossos representantes eleitos no Legislativo federal vêm trabalhando no sentido de salvar a própria pele diante das suspeitas de que mais da metade dos deputados federais e senadores se beneficiou da distribuição de propinas descoberta pela Lava Jato. A coisa está tão feia que une uma dezena de partidos na deslavada roubalheira praticada contra estatais, ministérios e autarquias. Os principais partidos políticos, entre eles as três principais forças no Congresso (PMDB, PT e PSDB), teriam sido beneficiados com dinheiro desviado para abastecer o caixa dois de campanhas eleitorais e irrigar as contas pessoais de centenas de políticos. É uma constatação triste, mas que já tinha sido levantada no início da operação Lava Jato: a corrupção disseminou-se e transformou a política brasileira na bandalheira que hoje vemos.
 
Para muitos, a política é encarada como profissão. E os desvios de dinheiro público transformou-se no plano de carreira de muitos daqueles que nós elegemos. Agora, o Senado Federal dá mostras de que se o brasileiro não tomar as rédeas do processo, evitando eleger a turma que lá está, esta situação vai continuar. Os senadores, com o apoio da maioria dos partidos representados na casa, criou um fundo para bancar campanhas eleitorais cujo dinheiro (embora eles digam que não) vai continuar saindo dos cofres públicos. São R$ 2 bilhões que fazem falta à Saúde, à Educação e ao Saneamento (cuja deficiência faz com que quase metade da população brasileira não conte com coleta de esgotos). A matéria já foi enviada à Câmara, onde certamente será aprovada, já valendo para a próxima eleição. É uma quantia absurda, 80% maior do que se gastou nas eleições do final de semana na Alemanha. 
 
Não se cortou das despesas dos próprios parlamentares e nem dos cargos comissionados, que abundam. A dinheirama sairá da supressão de emendas parlamentares (que destinam verbas para obras nos municípios) e da propaganda eleitoral (que de gratuita não tem nada, já que as emissoras gozam de isenção fiscal para apresentá-la). Agora, a articulação é para derrubar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano foi gravado pedindo R$ 2 milhões para o dono da JBS, Joesley Batista, e agora diz que pedia um empréstimo. “Decisão judicial não se discute: se cumpre”, já diz o velho axioma. Ir contra uma sentença do Supremo mostra o grau de confronto que o Senado pretende assumir. Mas, como já diz o velho ditado, “quem tem telhado de vidro...”
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários