Ainda falta muito para a excelência


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QUASE METADE DA POPULAÇÃO NÃO CONTA COM TRATAMENTO DE ESGOTO, DIZ ESTUDO
Quem mora em Franca não tem do que reclamar, mas o resto do País... Há pelo menos duas décadas que o município conta com a totalidade de suas residências com tratamento de água e esgoto. Os investimentos, feitos há mais de 30 anos coloca a cidade no topo do ranking de saneamento. Mesmo em época de uma estiagem prolongada e baixa umidade do ar como a atual, o francano ainda não sofreu com cortes sistemáticos de água, mesmo que os mananciais que abastecem a cidade estejam com vazão bem abaixo do satisfatório. Várias outras cidades, como Ribeirão Preto, vivem este problema. Além disso, também é baixo o índice de doenças provocadas pela insuficiência do tratamento de esgoto, como ocorre em outros municípios do País. A Sabesp, pelo menos por aqui, investiu em qualidade e num projeto de longo prazo, algo que vem faltando em grande parte do País.
 
No Brasil, 45% da população ainda não têm acesso a serviço adequado de esgoto. O dado consta no Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas divulgado pela ANA (Agência Nacional de Águas) e pelo Ministério das Cidades. O estudo traz informações sobre os serviços de esgotamento sanitário no país, com foco na proteção dos recursos hídricos, no uso sustentável para diluição de efluentes e na melhor estratégia para universalização desses serviços. O Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) considera como atendimento adequado de esgoto sanitário o uso de fossa séptica ou rede de coleta e tratamento de esgoto. Dentro desse critério, 55% dos brasileiros dispõem do serviço adequado. A publicação aponta que 43% são atendidos por sistema coletivo (rede coletora e estação de tratamento de esgotos); 12%, por fossa séptica (solução individual); 18% têm o esgoto coletado, mas não é tratado; e 27% não têm qualquer atendimento.
 
Foram realizadas avaliações em cada um dos 5.570 municípios do País, sempre considerando as diversidades regionais e a abordagem por bacia hidrográfica. No estudo, são consideradas exclusivamente as residências urbanas e não foi avaliada a prestação do serviço na área rural. De acordo com o Atlas Esgotos, a universalização do esgotamento sanitário na área urbana do País necessitaria de R$ 150 bilhões em investimento, tendo como horizonte o ano de 2035. Como aqui no Brasil as “obras enterradas” continuam sendo negligenciadas em nome de obras vistosas, “que rendem votos”, só quando a situação se tornar insustentável e extremamente danosa à saúde do brasileiro é que começarão a pensar em resolvê-lo, muitas vezes com paliativos. Não é isso que esperamos de nossos administradores e legisladores eleitos. A solução urge e deixar de enfrentá-la já é um verdadeiro descaso para com todos os brasileiros.
 

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