Na última semana, depois que um morador de rua agrediu um motorista após o mesmo lhe negar dinheiro, o Comércio percorreu vários pontos da cidade para acompanhar um pouco da situação que tem levantado discussões na cidade: o excesso de pessoas vivendo nas ruas de Franca e pedindo dinheiro nos semáforos. Aglomerados, esses moradores têm invadido praças na região Central como Nossa Senhora da Conceição, a Catedral, Barão e Carlos Pacheco; a praça João Mendes, localizada entre as avenidas Major Nicácio e Presidente Vargas; nas proximidades do Abrigo Provisório, inclusive na avenida Dr. Willian Azzuz e Dr. Flávio Rocha, entre vários outros pontos.
“É bem complicada a situação. Nos últimos meses vimos o número de pedintes por aqui aumentar. E eles são violentos, coagem as pessoas, especialmente as mais velhas. Sabem até os horários das missas e ficam ali na porta já para abordar as senhoras, que acabam com medo e contribuem”, disse um taxista, que tem ponto na praça da Catedral há 18 anos e pediu para não ter o nome divulgado.
“Antes ficávamos aqui até as 21 horas, mas agora é impossível. Eles encostam quando acaba o movimento comercial, inclusive nos ameaçando. Precisamos ir embora logo que escurece para evitar problemas. Cansamos de ver eles abordando e sendo agressivos com mulheres, que consideram mais frágeis. Além do uso frequente de bebidas alcoólicas e drogas”, completou outro taxista que está no ponto há 15 anos.
Rodando pela cidade de carro, em aproximadamente duas horas, a equipe de reportagem encontrou pessoas pedindo dinheiro em semáforos das avenidas Major Nicácio, Presidente Vargas, Orlando Dompieri, Dr. Ismael Alonso y Alonso, Dr. Hélio Palermo, Antônio Barbosa Filho e Dr. William Azzuz e ainda nas ruas Monsenhor Rosa, Simão Caleiro e Campos Sales.
“A verdade é que nos sentimos coagidos e muitos usam de agressividade. É lógico que tem aqueles que respeitam e quando recebem o ‘não’ simplesmente se afastam, mas não é sempre assim. Esses dias uma moça falou não e um deles começou a gritar com ela. Ficamos com medo que ele partisse para agressão, mas depois de assustá-la se afastou”, disse a cabeleireira Márcia Helena Schmutz, de 53 anos, que mora no Centro da cidade.
O mesmo é relatado pela dona de casa Sebastiana Aparecida, de 75 anos, que frequenta missas na igreja Nossa Senhora das Graças, no Cidade Nova. “Agora antes de sair de casa precisamos separar o dinheiro da oferta que é dada na missa e o dinheiro das esmolas. Eles nos cercam, se aproveitam, especialmente da nossa idade mais avançada, e ai de mim se negar. É bem complicado isso e a Prefeitura deveria dar uma solução.Sinto pena por vê-los vivendo dessa maneira, mas nem todos nos respeitam e precisamos de mais segurança”, disse.
Prefeitura promete soluções
Em nota, a Secretaria de Ação Social afirmou estar empenhada na resolução do problema e que, até o final deste mês de setembro, deve realizar o chamamento de uma entidade que será responsável por fazer a abordagem dos moradores de rua. Além disso, a Prefeitura informou que deve ser criada uma Casa de Passagem. “O Centro de Triagem e Apoio ao Migrante é outra medida a entrar em funcionamento nas próximas semanas, para maior controle das pessoas de fora que chegam à cidade, e outras medidas estão em curso para amenizar a situação”, diz a nota.
O Abrigo Provisório, com capacidade para 80 pessoas, sendo 65 delas reservadas para homens e 15 para mulheres, está funcionando plenamente e, de acordo com a Secretaria, tem cumprido o seu papel social. “Será feita ainda uma campanha de esclarecimento sobre o quanto é prejudicial o ato de dar esmolas”, completou a nota.
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