SITUAÇÃO CAÓTICA DO RIO DE JANEIRO É PROVA DE INCOMPETÊNCIA E ROUBALHEIRA
Poucos administradores públicos do nosso país, incluindo aí os parlamentares também, trabalham olhando para o que pode acontecer mais para a frente. São poucas as políticas públicas de longo prazo e as que existem muitas vezes são descontinuadas quando mudam os administradores. Por causa disso, quantas iniciativas interessantes e abrangentes foram literalmente jogadas na lata do lixo. O político brasileiro sobrevive às custas de promessas (a maioria não cumprida) e planos que não se materializam por sua natureza mirabolante. Ou seja: vivemos num Brasil de promessas vãs e credulidade exagerada, confiando em quem não se interessa em pensar (e agir) de forma global, a Nação como um todo, descartando um planejamento a longo prazo.
A situação atual do Rio de Janeiro, onde o crime organizado faz frente a um Estado quebrado, vítima de uma roubalheira desenfreada neste século, é exemplar. O Estado não consegue mais levar à frente as suas mais elementares obrigações, como prover a população de ensino, saúde e segurança. Sem ajuda do governo federal, até hoje o Rio de Janeiro não teria conseguido pagar seus servidores (grande parte deles formada por professores). O atendimento médico nas unidades públicas é caótico e agora o crime organizado, notadamente os traficantes que dominam as favelas cariocas, coloca as políticas de segurança pública em xeque.
Não bastassem o sofrimento de milhares de cidadãos sem atendimento médico adequado e os estudantes sem aulas, agora até soldados do Exército tiveram que reforçar os trabalhos de segurança pública, participando da dominação de uma das maiores favelas do Rio, a Rocinha, para levar um pouco de tranquilidade aos moradores daquela importante área da capital fluminense. A briga de facções pelo comando do tráfico na Rocinha atravessou a semana e perdura como uma ameaça a quem mora não apenas na favela, mas em todo o entorno. Não fosse a ação temerária do Estado nos últimos anos, sem uma política adequada de segurança que já causou uma centena de baixas no aparato policial somente neste ano, a situação poderia estar melhor.
Porém, a única ação dos oito anos de governo de Sérgio Cabral (PMDB), que encabeçou uma quadrilha que deixou o Rio de Janeiro quebrado, foi a instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas principais favelas da cidade. E ficou nisso, numa clara ação eleitoreira que garantiu a eleição de Luiz Fernando Pezão (PMDB) para suceder Cabral. E deu nisso: o funcionamento das unidades é precário, o tráfico tomou conta das favelas e agora não há muito o que se fazer, a não ser lamentar as cenas tristes que a televisão vem mostrando.
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