Contra as nossas próprias imperfeições, cabe-nos travar uma luta permanente, atendendo à finalidade principal da nossa existência terrena. Consideremos que há uma grande diferença entre viver e existir. Existir é deixar a vida nos levar, sermos submissos, indiferentes, passivos como um boneco, daqueles que dizem: “vamos deixar como está, para ver como fica.” Já, viver significa ser agente, conduzir a vida, cumprir um objetivo.
Durante a nossa curta passagem pela face planetária, vamos enraizando comportamentos, atitudes, hábitos, sentimentos, emoções, que fazem o nosso modo de ser, o nosso caráter, obviamente acrescidos de velhas experiências.
Criamos a badalada, mas inconveniente ‘zona de conforto’. São os nossos automatismos psicológicos. E como é difícil lutar contra eles! É um sólido passado de experiências negativas a se contrapor ao nosso desejo de mudar, como conclui, também, a cronista Mirian Goldenberg, da Folha (29.11.16), quando afirmou: “Eu quero mudar. Mas será possível mudar a própria natureza?” Não por outra razão, ao tratar do assunto, no capítulo VI, de O Evangelho segundo o Espiritismo, “Cristo Consolador”, o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, sentenciou: “Conhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral”, vale dizer, pela evolução que se promove a si mesmo. Isto significa que não são as reuniões frequentadas, as palestras proferidas e ouvidas, os livros escritos e lidos, a mediunidade exercitada que fazem o ‘verdadeiro espírita.’ O que vale mesmo é o esforço de mudança que todos devemos promover, conforme proposto por Nosso Mestre Jesus: “Se te baterem na face esquerda, oferece a direita.”
Você já imaginou o tamanho da mudança, para vencermos o próprio orgulho.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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