Crescimento a passos lentos


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RETOMADA DA NOSSA ECONOMIA AINDA VAI DEMORAR, A SE DEPENDER DO EMPREGO
Não é surpresa para ninguém que o Brasil está começando a abandonar a crise que estagnou o crescimento econômico pelo menos nos últimos cinco anos. Mas a alentada retomada, que já foi vaticinada para 2016, 2017 e 2018 deve demorar ainda mais se forem levados em conta os números da atividade econômica atual, principalmente os que ainda apontam quase 14 milhões de brasileiros sem emprego (aqueles que procuram e não conseguem colocação), sem contar os milhões de nem-nem (nem trabalham nem procuram emprego). Pelos números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a se considerar o ritmo de recolocação de trabalhadores, o Brasil deve demorar muito mais do que dez anos para recompor o mercado de trabalho aos níveis em que o País registrava cerca de 5 milhões de trabalhadores sem emprego com carteira assinada.
 
No último mês de agosto, o número de novas vagas de trabalho com carteira assinada somou 35.457, conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado na quinta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o Caged, agosto foi o quinto mês seguido com mais vagas de trabalho formal abertas do que fechadas no país. No mês anterior, julho, foram gerados mais 35.900 postos de trabalho com carteira assinada. De janeiro a agosto deste ano, o mês de abril foi o que apresentou melhor resultado: 71.193 novas vagas. Como se pode ver, a continuar neste ritmo, precisaremos de pelo menos dez anos para que o mercado de trabalho absorva perto de seis milhões de trabalhadores, restando ainda um saldo de sete milhões de desempregados. Trata-se de um número considerável.
 
Além disso, é bom verificar que o agravamento da crise econômica em 2015 interrompeu um período de sete anos de crescimento do setor de serviços no Brasil, ainda conforme o IBGE. Desde o início da série histórica da PAS (Pesquisa Anual dos Serviços), em 2007, o IBGE registrou crescimento em dados como número de empresas, pessoas ocupadas e massa salarial real na área de serviços, além do valor adicionado pelo setor à economia. Em 2015, quando o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil caiu 3,8%, os serviços registram queda em seus principais indicadores. Segundo o IBGE, vários fatores influenciaram o desempenho negativo do setor. Entre eles, está o fraco desempenho do consumo das famílias, que caiu 4% com a retração da renda e do mercado de trabalho. Ainda de acordo com o instituto, houve piora nas condições de crédito e aumento da inflação, que chegou a 10,6%. Os números não mentem: embora com a queda dos índices inflacionários e crescimento do PIB nos últimos meses, o setor produtivo não absorveu os números positivos, o que se reflete no mercado de trabalho que vai demorar para decolar satisfatoriamente.

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