Atos perigosos de intolerância


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NOS ÚLTIMOS TEMPOS, LIBERDADES DE EXPRESSÃO E INDIVIDUAL SÃO ATACADAS
Dias atrás, o jogador Ricardo Oliveira, centroavante do Santos Futebol Clube, vaticinou: “o futebol está ficando chato”. Hoje, jogadores não podem comemorar gol tirando a camisa (recebem cartão amarelo), não podem interagir com a própria torcida e nem instigar a adversária. Pois não é apenas o futebol que está muito chato: na era do politicamente correto, grupos e “patrulhas” vêm tornando até o humor sem graça, pois poucos aceitam se verem tratados pelo viés da comédia. A intolerância, que toma corpo em nossa época, está transformando toda a sociedade que, aos poucos, vê-se tolhida da liberdade de expressão que lhe é conferida constitucionalmente. O indivíduo vem sendo ainda tolhido em seu livre arbítrio, numa censura abjeta que pretende impor a vontade de grupos organizados (mas não menos intolerantes ou fundamentalistas) aos que não comungam com suas idéias retrógradas.
 
O cancelamento de uma exposição de arte no Rio Grande do Sul, no início do mês, é prova disso. A mostra teve seu final antecipado por causa de protestos do MBL (Movimento Brasil Livre) e outros grupos, dizendo que certas obras expostas estimulavam a pedofilia e a zoofilia (fato refutado pela Promotoria da Infância e da Juventude). Como é que um grupo que se diz “livre” investe contra a liberdade de expressão, impedindo o cidadão de ver o que quiser? Já vai longe o tempo em que a expressão artística, seja de que forma for, era considerada estímulo para qualquer coisa. Livros, filmes e novelas (no caso do Brasil) devem ser vistos como entretenimento, ainda mais que seguem uma classificação indicativa determinada pelos órgãos competentes. Cabe aos pais e responsáveis decidirem sobre as escolhas dos filhos. A tutela ao indivíduo é patética perigosa.
 
Pornográfica é a foto de R$ 53 milhões aconcidionados em malas e caixas num apartamento de Salvador por um político que trafega com desenvoltura pelos entornos do poder há cerca de duas décadas. Não é por ver a história de um homossexual (ou travesti ou transexual) na televisão que uma criança decidirá seguir pelo mesmo caminho. E isto nos leva à decisão de um juiz do Distrito Federal que, em sentença, permite um tratamento chamado “reversão da homossexualidade” (popularmente chamada “cura gay”), terapia considerada inadequada pelos órgãos de psiquiatria e psicologia, já que a homossexualidade não é compreendida como um transtorno médico ou psiquiátrico. O crescimento deste tipo de atitude, que leva à censura pura e simples, é a arma dos intolerantes e radicais que pretendem impor sua vontade à força, calando vozes contrárias e dissonantes ao seu pensar. Realmente, está tudo perdendo a graça e ficando perigosamente chato. 

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