Mais uma vez o País é sacudido pela denúncia contra o presidente da República, seu partido, seus ministros mais próximos e até seus delatores, Joesley Batista e Ricardo Saud, que estão presos. Depois da instabilidade gerada em junho, pela primeira denúncia, baseada na delação dos irmãos Batista, Rodrigo Janot — que no domingo deixou a chefia da Procuradoria Geral da República — apoiado nas informações dos mesmos delatores e do doleiro Lucio Funaro, agora acusa o chefe de governo de chefiar uma organização criminosa do PMDB que teria sacado de órgãos oficiais quase R$ 600 milhões em propinas. Da primeira denúncia — que o afastaria do governo — Michel Temer conseguiu escapar, abrindo as burras oficiais para a liberação de emendas parlamentares e outros benefícios aos deputados em troca de votos contra a autorização do processo. Informa-se que nisso foram empenhados R$ 15 milhões.
Além do libelo contra Temer e seu grupo, temos consumadas as sentenças do Mensalão e os processos da Lava Jato contra os ex-presidentes Lula e Dilma muitos outros ocupantes de cargos eletivos, dirigentes partidários e empresários que praticaram atos de corrupção.
É preciso que tudo seja devidamente apurado e que, na certeza dos crimes, os envolvidos sejam exemplarmente punidos. Para consertar o País, as apurações não devem ficar restritas apenas aos figurões de maior visibilidade midiática.
Todo agente público ou indivíduo que fraudar licitações, receber propina, desviar recursos e cometer outros ilícitos tem de ser investigado e apenado. Isso é imperativo legal, pois jamais poderemos ter uma sociedade livre e progressista sem a observância dos princípios da ética, moral e honestidade. Temos a Constituição e um vasto ordenamento jurídico.
Tudo deve ser rigorosamente aplicado a todos — políticos, servidores, empresários, atravessadores e simples indivíduos — que vierem a contrariar o contido no texto legal. É preciso que a transparência seja a pedra de toque da vida nacional, nos três poderes e, também nos três níveis: federal, estadual e municipal.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo
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