Já são 19 anos de dor, tristeza e lágrimas. Dias angustiantes e de tortura para a família de Selma Heloísa Artigas da Silva. A francana, que trabalhava como dançarina em uma boate e em um grupo de axé em Ribeirão Preto, foi assassinada na cidade e, até hoje, o caso se arrasta na Justiça sem que o responsável esteja atrás das grades.
O acusado, Pablo Russel Rocha, foi condenado a 24 anos de prisão em regime fechado em 2016. Mas, para Sandra Artigas, a irmã de Selma, conhecida como “Nicole” na boate em que trabalhava, essa condenação não passa de “mera ilusão”, já que o ribeirão-pretano ainda não voltou para a cadeia e, segundo ela, pode não cumprir toda a pena. “Ele já ficou um tempo detido, mas não deve passar nem mais cinco anos (preso). É como se não tivesse acontecido nada. A Justiça, se é que posso chamar assim, massacrou o sentimento e dor de uma família inteira com essa decisão. Estão nos matando aos poucos. Esperávamos muito mais. É um absurdo”, disse.
Para Sandra, o que Pablo fez é imperdoável. “São dias difíceis desde que ele matou minha irmã. Eu tenho depressão, não consigo trabalhar, e minha mãe é uma morta-viva. Está com 78 anos e muito debilitada. Não temos paz e todos os dias, quase que todos os instantes, lembramos da Selma, que era uma menina cheia de sonhos e que transbordava alegria. Era para ela estar conosco hoje.”
O caso
Pablo, hoje com 43 anos, é acusado de arrastar “Nicole”, na época com 21 anos e grávida de 3 meses, por cerca de dois quilômetros na avenida Caramuru, em 11 de setembro de 1998.
De acordo com a polícia, o autor amarrou a vítima pelo punho esquerdo usando o cinto de segurança de sua Pajero e a arrastou por cerca de dois quilômetros. A jovem morreu na hora. Dias depois do homicídio, o empresário ribeirão-pretano se entregou. Ele confessou a autoria do crime, mas alegou que “Nicole” teria ficado acidentalmente presa no cinto de segurança fora do veículo e após uma discussão com a jovem, ele teria saído em alta velocidade, não percebendo o fato.
Desde então, o processo corre na Justiça. Pablo ficou dois anos e dois meses preso e, por duas vezes, no ano de 2012, sua defesa conseguiu que o julgamento fosse adiado. Em 2016, foi a júri e acabou condenado a 24 anos de prisão em regime fechado. Ele chegou a ser preso, mas foi solto oito dias depois por decisão do Tribunal de Justiça, que alegou que o empresário não oferecia nenhum risco, e respondeu a todo o processo em liberdade.
A defesa do empresário recorreu da condenação, mas, em agosto deste ano, o TJ manteve a decisão e ele deverá cumprir a pena. “Se ele ficasse, de fato, os 24 anos preso, estaríamos mais tranquilas. Eu o odeio com todas minhas forças e não perdoo o que fez com minha irmã. Queria que apodrecesse na cadeia”, disse Sandra, sobre a condenação.
A reportagem tentou entrar em contato, durante a última semana, com o advogado do réu, Sergei Cobra Arbex, mas as ligações não foram retornadas.
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