Um problema na comporta da represa do Castelinho fez com que toda a água vazasse entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado. O espaço antes tomado pela água se transformou em um imenso lamaçal com mau cheiro. Toneladas de peixes que estavam sendo criados ao longo dos anos no local foram embora. Outros tantos morreram. Por muito pouco, dois funcionários do clube também não foram levados pelas águas. “Foi uma coisa terrível, muito grave mesmo”, afirmou João Carlos de Vilhena, presidente do clube.
A represa do Castelinho vem sofrendo com o assoreamento há algum tempo. Diretores do Castelinho afirmam que a criação dos bairros Santa Clara e Santa Lúcia nas proximidades acelera o processo ao fazer com que lama e entulhos levados pela água da chuva do condomínio vizinho sejam jogados na represa.
O clube culpa o loteamento e a Prefeitura pelo problema e denunciou o caso à Promotoria do Meio Ambiente. O Ministério Público notificou o município para fazer um estudo ambiental visando a recuperação da represa.
O dano ambiental de ontem, ainda impossível de mensurar, aconteceu justamente no momento em que a Prefeitura foi ao local atender determinação do MP.
Por volta das 17h30 de sexta-feira, dois funcionários da Prefeitura foram ao clube e pediram para o chefe de manutenção do Castelinho abrir a comporta para medir a vazão de água. A análise ajudaria a embasar o estudo. Só que deu tudo errado e a situação se complicou de vez.
“Durante a medição, entulhos, galhos e um grande tronco travaram a comporta. Fizemos todos os esforços, mas não conseguimos fechar. Com isso, praticamente, toda a água saiu. É difícil falar em números, mas toneladas de peixes foram embora. Tinha peixe de quase um metro. Foi uma coisa muito grave o que aconteceu. Os danos ambientais são enormes”, disse Matheus Rodrigues, diretor de patrimônio do clube.
Desespero
Na tentativa de salvar peixes e aves, dois funcionários do Castelinho entraram na represa com um barco. A vazão da água estava muito forte e começou a puxá-los para a comporta. Para complicar, a embarcação ficou presa na lama. “A nossa salvação foi um guincho que estava aqui do lado. Jogamos um cabo de aço e conseguimos resgatá-los. Se não fosse o guincho, eles teriam sido sugados. Por muito pouco, não perdemos dois colegas nossos. Foi grave, mas grave mesmo. Estou assustado até agora. A represa já deu problema antes, mas desta vez foi algo fora do comum. Tinha vida humana em jogo”, disse Celso Modesto, gerente de manutenção do Castelinho.
Recuperação
Na manhã de sábado, era possível ver peixes mortos na represa e capivaras se esforçando para sair do barro. Funcionários e sócios do clube estavam desolados com a imagem.
Nesta segunda-feira, técnicos vão tentar consertar a comporta. A estimativa é de que a represa esteja normalizada em cinco dias.
Recuperar a perda dos peixes levará anos. “A Prefeitura precisa entender que a represa, embora particular, é muito importante para o município, pois controla toda a vazão de água aqui da região. Se perdermos a represa, os transtornos na região do Galo Branco serão enormes e quem vai sofrer será a população. O que aconteceu não foi brincadeira. Precisamos que o município nos ajude na recuperação”, concluiu Matheus Rodrigues.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.