Aos 31 anos, o historiador Edgar Ajax dos Reis Filho assumiu, há pouco mais de um mês, o desafio de comandar a maior secretaria da Prefeitura de Franca. Foi em meio à polêmica envolvendo a saída de Silma Alcântara Junqueira, no final de julho, que ele assumiu a Secretaria da Educação, que conta com mais de 2,4 mil servidores e é responsável por quase 30 mil estudantes na cidade.
Formado em História pela Unifran, Edgar se interessou cedo pela política. Aos 16 anos, já era filiado ao PV (Partido Verde). “Fui convidado pelo Chiachiri (José Chiachiri, historiador francano falecido). Ele dizia que eu tinha vocação para a vida pública”. De lá para cá, atuou como presidente do Conselho Municipal da Juventude, assumiu o Núcleo Jovem Empreendedor ligado ao Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e, há três anos, foi convidado a assumir a Secretaria Municipal de Educação de Rifaina. “Lá tive muitas experiências que me deram a vivência necessária para que, agora, eu pudesse assumir a responsabilidade de comandar a Educação em Franca”, conta.
A relação de Edgar com o prefeito Gilson de Souza (DEM) é antiga. “Nos conhecemos há 15 anos. Logo que comecei a mexer com as causas da juventude. Ele era deputado e me ajudou muito a conseguir apoio do governo estadual para as nossas propostas.”
Em janeiro, Edgar foi convidado para assumir a pasta de Ação Social. Ele ficou no cargo até final de julho quando foi indicado para substituir Silma.
Em sua sala no prédio da Secretaria de Educação, Edgar falou sobre as críticas a sua nomeação, os problemas enfrentados em sua pasta e seus planos. “Ainda temos muito o que fazer. Quero trazer inovação e mais qualidade para a rede municipal.”
Antes da Educação, estava na Ação Social. Como foi essa mudança? E qual a avaliação o senhor faz deste novo começo?
Confesso que estou muito feliz. Muito mesmo. Encontrei aqui na Educação uma equipe excelente, comprometida, dedicada e disposta a trabalhar. Me orgulho muito disso. Assim que assumi, quis me apresentar e conhecer de perto a rede. Visitei escolas e continuo visitando, fiz reuniões com os professores e profissionais da Educação e me impressionei com o idealismo que todos têm. Ainda estou em um período de adaptação. Esta é uma secretaria muito grande, com muitos braços, mas estamos trabalhando duro para ampliar e melhorar a qualidade do ensino no município.
A escolha do seu nome e de alguns de seus subordinados para cargos chaves da Educação recebeu muitas críticas. Como o senhor tem lidado com isso?
As críticas fazem parte da vida pública. Mas muitas delas foram feitas de forma injusta e maliciosa. Vi muita gente dizendo que eu não tinha experiência, conhecimento, que era apadrinhado político. Houve muitos ataques injustos. Sou formado em História, pela Unifran, e já trabalho há mais de dez anos na área de políticas públicas. Por três anos, comandei a Secretaria de Educação de Rifaina. Também escolhi gente muita competente para estar ao meu lado. A Ana Maria Bisco, por exemplo, também foi muito atacada por ser mulher do ex-prefeito de Rifaina, mas ela é extremamente competente e tem uma experiência na área da Educação invejável. Por mais de uma década, ela vem atuando na região de Franca pela Secretaria Estadual da Educação. É uma profissional da qual me orgulho e defendo. As críticas existem, mas temos que trabalhar e mostrar resultados.
Um dos grandes desafios hoje da Educação em Franca é vencer a falta de profissionais na rede municipal. Qual é o déficit de professores na rede e o que tem sido feito para resolver este problema?
Realmente, tivemos essa dificuldade. Quando assumi a pasta, havia um déficit de 32 professores, mas conseguimos equacionar este problema. Conversando com alguns profissionais, conseguimos que eles dobrassem a carga horária, 15 professores efetivos aceitaram e assumiram mais salas. Além disso, também convocamos mais professores substitutos. Sabemos que não é a solução ideal, mas com o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, foi o que conseguimos fazer para não deixar as crianças sem assistência. Mas para o próximo ano, nossa intenção é convocar professores efetivos.
Também houve muita reclamação e até denúncias feitas ao Ministério Público sobre a falta de monitores nas salas com alunos com necessidades especiais. Como está esse problema?
Este foi um problema que herdamos. Por uma decisão judicial, tivemos que dispensar os antigos monitores e, por um período, houve esta falta, mas já estamos com 80% deste problema solucionado. Havia um déficit de 65 monitores na rede de ensino municipal. Conseguimos contratar 44 e o restante deve ser convocado nos próximos 30 dias.
Houve um atraso na inauguração de seis novas creches que estavam prontas desde março, abril mas que só começaram a atender neste mês. Por que isso aconteceu?
Em várias áreas da Prefeitura enfrentamos um entrave que foi a nova legislação para as entidades do terceiro setor que mudou algumas regras. O ideal seria que tivesse havido um planejamento melhor da gestão anterior, mas isso não aconteceu. Os ajustes acabaram ficando para o nosso governo. Tivemos que abrir um processo de chamamento para as entidades que acabou se estendendo por mais tempo que o normal por causa destas mudanças legais. Isso acabou atrasando o início das atividades, mas isso não deve se repetir. Ainda tenho uma outra boa notícia para as mães que trabalham em fábricas no Distrito Industrial. Já começamos um processo para a implantação de uma creche municipal lá no Distrito. Será um empreendimento em parceria com a iniciativa privada. Já estamos em negociação avançada com três empresários que se interessaram e se comprometeram a ajudar. Se tudo caminhar, queremos facilitar para as mães e implantar uma nova creche perto do local de trabalho dessas mulheres. Também temos outras unidades que estão em fase de conclusão e devemos inaugurar ainda este ano, além das seis creches que começaram a funcionar neste mês.
Alguns professores também têm se queixado do sistema de ensino adotado na rede municipal que é o “Ler e Escrever”, em parceria com o governo do Estado. Qual a avaliação o senhor faz deste método? E o senhor deve mantê-lo?
O método é excelente. Traz ferramentas para os educadores trabalharem com os alunos e levanta reflexões importantes. Mas, na minha avaliação, para que ele possa produzir os resultados esperados, é preciso que os profissionais estejam treinados para lidar com esta metodologia. E é neste ponto que existem falhas. Queremos capacitar nossos professores e coordenadores para que o método possa ser aplicado de forma padrão. O que vemos hoje é que cada escola está trabalhando de um jeito. Então, já estamos montando uma reformulação do Centro de Formação, aqui na Secretaria, e devemos oferecer treinamento aprofundado a toda a rede.
No final do mês passado, a Justiça determinou a desocupação do prédio onde hoje funciona o Centro de Convivência Infantil, que atende mais de 135 crianças, filhas de servidores. Até a última quinta-feira, não havia uma definição sobre como ficará o atendimento desses menores. O senhor já tem alguma resposta?
Sim. Decidimos que iremos alugar um imóvel ali na região onde funciona o CCI e transferir todo o atendimento para este novo local. Estamos em processo de escolha deste imóvel. Já visitei dois e, em um deles, a negociação está avançada. Acredito que até segunda-feira já estejamos com tudo acertado. Se tudo der certo, já na próxima segunda, dia 25, as crianças estarão acomodadas em um novo imóvel. Havia a sugestão da Justiça de distribui-las pelas unidades da rede, mas achamos mais conveniente o aluguel de um novo imóvel que será usado enquanto fazemos a reforma do prédio do CCI, para que ele possa ser novamente ocupado.
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