O ataque é a melhor defesa?


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SEM EXPLICAR DIREITO AS ACUSAÇÕES, LULA ATACA ATÉ COMPANHEIROS DE LONGA DATA
O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, mesmo ciente de que sua situação ficou muito mais complicada depois dos depoimentos de Antônio Palocci ao juiz Sérgio Moro, prefere manter a tática de que ‘a melhor defesa é o ataque’ consagrada em um provérbio português, mesmo que atinja quem já foi “amigo de fé e irmão camarada”. Ao mesmo tempo em que empreende uma campanha eleitoral ilegal por redutos que sempre lhe deram expressiva votação, nos Estados do Norte e Nordeste, aponta sua mira aos que contrariam seus interesses, como membros do Judiciário e ex-companheiros de partido que o acusam de enriquecimento ilícito, corrupção e improbidade, como o ex-ministro Palocci e o senador cassado Delcídio do Amaral. Sobre aqueles que ainda se mantém de boca fechada mesmo diante de provas robustas, como o ex-governador Sérgio Cabral, prefere se calar.
 
Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, ontem, em Curitiba, Lula deixou claro o abandono a que relegou aqueles que foram seus amigos íntimos por anos a fio, quando ele tentou criar uma aura de líder popular e, depois, permitiu (ou mesmo patrocinou) uma verdadeira ladroagem aos cofres públicos abastecidos com o suado imposto pago pelo brasileiro. Chamou (aquele que sempre chamou de amigo honesto e a quem defendeu nas primeiras acusações, quando ele ainda era ministro) que Antonio Palocci de “calculista, frio e simulador”, e negou que tenha feito qualquer tipo de acerto ilícito com a empreiteira Odebrecht. Pois foi este “frio, calculista e simulador” que acompanhou o Partido dos Trabalhadores por anos a fio, destacando-se no cenário nacional como prefeito de Ribeirão Preto, inclusive chefiando as primeiras (e vitoriosas) campanhas de Lula e Dilma Rousseff rumo ao Palácio do Planalto.
 
O problema é que Lula não tem como explicar a espantosa evolução do seu patrimônio nas últimas quatro décadas e meia, quando passou de líder sindical a líder político de um partido que traçou um projeto de poder para, pelo menos, cinco décadas. José Dirceu, outro amigo de todas as horas — e ‘líder do povo brasileiro’, segundo o próprio ex-presidente — já foi condenado duas vezes por corrupção (no Mensalão e na Lava Jato), enquanto João Vaccari Netto, tesoureiro petista, ainda se encontra preso depois de ser condenado pela Justiça. Lula só não está atrás das grades porque, para isso acontecer, depende de um acórdão em segunda instância. O que se esperar de alguém que não trabalha desde a década de 1970 tenha acumulado um patrimônio como o dele e de seus familiares? É difícil creditar na sua inocência em razão dos indícios apresentados até aqui. Para quem nega veementemente a existência do Mensalão até hoje, Lula continua negando o óbvio. 

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