Caso de polícia


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Mesmo com o feriado na quinta-feira, que costuma esfriar o período, a semana passada foi movimentadíssima no cenário político nacional. Pontuaram as revelações do ex-ministro Antonio Palocci sobre o ex-presidente Lula, a descoberta da mala dos R$ 51 milhões na posse do ex-ministro Gedel VBieira Lima e a prisão dos delatores da JBS. E toda a agitação parece ser apenas o preâmbulo de mais emoções. Palocci se prepara para fazer a delação premiada, Gedel fatalmente revelará a origem, o destino e os donos da dinheirama apreendida; Joesley Batista e Ricardo Saud terão de se explicar ao MP e ao Judiciário sobre coisas que preferiram esconder no acordo de delação recheado com a gravação do presidente Michel Temer. E ainda teremos o segundo depoimento de Lula perante o juiz Sérgio Moro, na próxima quarta-feira.
 
Rodrigo Janot, que acaba de denunciar os ex-presidentes Lula, Dilma e José Sarney, senadores e outros líderes políticos e partidários, em sua ultima semana à frente da Procuradoria Geral da República, ainda poderá apresentar uma segunda denúncia contra Michel Temer. Nunca antes nesse país tivemos a classe política tão em baixa como atualmente. Nem nos tempos de quebra institucional, quando ser político era sinônimo de palavrão.
 
O ex-presidente Lula deverá responder perguntas sobre a compra pela Construtora Odebrecht, como propina, de um terreno para o Instituto Lula e do apartamento vizinho ao seu, em São Bernardo do Campo. Depois do depoimento de Palocci, fica mais difícil continuar negando tais acontecimentos, já que o ex-ministro os confirmou e ainda adiantou a propina relativa ao sitio de Atibaia e o tal “pacto de sangue”, onde a empreiteira teria colocado R$ 300 milhões à disposição de Lula. Diferente do primeiro depoimento a Moro, ocorrido em maio, desta vez, comparecerá na condição de condenado em outro processo e depois de ter feito ácidas críticas ao magistrado e àqueles que o acusam. Poderá até manter-se calado.
 
Apesar de todas as dificuldades, o ex-presidente ainda contará com manifestações de rua organizadas pelo seu partido e linhas auxiliares. Difícil saber se terão a mesma dimensão da anterior. O importante, no entanto, é que os responsáveis pela segurança pública mantenham a ordem. Nada deve tumultuar o funcionamento da justiça, até para que o seu veredito seja o mais acertado possível e condizente com a ética e os interesses nacionais. Quem deve tem de pagar, mas na justa medida do débito. Nem mais, nem menos...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo

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