Estudo mostra que governos petistas não conseguiram reduzir abismo
Uma das grandes bandeiras dos governos petistas na última década e meia (aí incluindo ainda a atual administração de Michel Temer, do PMDB) que é utilizada em toda a ocasião em que o partido procura retomar a popularidade perdida depois da investigação da Lava Jato diz respeito à melhoria do poder de compra das classes mais pobres, com a consequente redução da desigualdade entre ricos e pobres em razão da implantação de programas sociais no período, como o Bolsa Família. Porém, segundo estudo divulgado durante a semana pela equipe do economista Thomas Piketty, famoso por propor a taxação dos mais ricos para reduzir as disparidades na distribuição de renda, o crescimento da renda da população mais pobre no Brasil nos últimos 15 anos foi insuficiente para reduzir a desigualdade. O levantamento destaca que a maior parte do crescimento econômico neste século foi apropriada pelos 10% mais ricos da população.
De acordo com o estudo, conduzido pelo World Wealth and Income Database, instituto codirigido por Piketty, a fatia da renda nacional dessa parcela da população passou de 54,3% para 55,3% de 2001 a 2015. No mesmo período, a participação da renda dos 50% mais pobres também subiu 1 ponto percentual, passando de 11,3% para 12,3%. A renda nacional total cresceu 18,3% no período analisado, mas 60,7% desses ganhos foram apropriados pelos 10% mais ricos, contra 17,6% das camadas menos favorecidas. A expansão foi feita à custa da faixa intermediária de 40% da população, cuja participação na renda nacional caiu de 34,4% para 32,4% de 2001 a 2015. De acordo com o estudo, a queda se deve ao fato de que essa camada da população não se beneficiou diretamente das políticas sociais e trabalhistas dos últimos anos nem pôde tirar proveito dos ganhos de capital (como lucros, dividendos, renda de imóveis e aplicações financeiras), restritos aos mais ricos.
O estudo classificou a manutenção da desigualdade no Brasil como “chocante”, principalmente se comparada com outros países desenvolvidos. “É digno de nota que a renda média dos 90% mais pobres no Brasil é comparável à dos 20% mais pobres na França, o que apenas expressa a extensão da distorção na renda no Brasil e a falta de uma vasta classe média”, ressalta o levantamento. Em contrapartida, o 1% mais rico no Brasil ganha mais que o 1% mais rico no país europeu: US$ 541 mil aqui, contra US$ 450 mil a US$ 500 mil na França. Como se pode ver, falta uma política efetiva para os menos favorecidos aumentarem a sua própria renda, sem depender da transferência de recursos dos cofres públicos. É isso que grande parte da população brasileira ainda espera daqueles se elegem para cuidar do País.
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