Ao ser 'copiado', Corinthians testa domínio


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Foto: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians
Foto: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Eduardo Geraque
FolhaPress

Líder com folga do Brasileiro, o Corinthians perdeu pontos em apenas sete partidas. Em comum nesses jogos, o fato dos adversários se espelharam nele. Foi assim em duas das últimas três partidas, na pior série da equipe. Foram duas derrotas e uma vitória.

Contra o Santos, às 16h de domingo, na Vila Belmiro, mais uma vez o time dirigido pelo Fábio Carille enfrenta um rival que também atua no 4-2-3-1, como jogaram rivais que conseguiram empatar ou ganhar do líder do torneio.

A diferença em relação às derrotas sofridas em Itaquera é que o Santos gosta mais de ter a posse de bola. E, em casa, tende a sair mais para o ataque. Levir Culpi diz que não mudará esse estilo. Resta saber se a velocidade típica do ataque santista será bloqueada pelo sistema de defesa do líder, que precisa fazer o ataque funcionar.

Nas vezes em que deixou de obter pontos, cinco vezes em casa e duas fora, nos empates em 0 a 0 com Coritiba e Avaí, o Corinthians enfrentou adversários que usaram as mesmas armas dele, além do mesmo esquema tático. A começar pela intensidade defensiva. E, talvez mais importante, também pela rapidez na transição para se conseguir chegar com velocidade ao gol adversário.

Outro ingrediente tático que o time dirigido por Carille gosta também acabou dando resultado quando bem usado pelos adversários. O Vitória e o Atlético-GO, os únicos que ganharam do Corinthians no Campeonato Brasileiro, tiveram, respectivamente, 35% e 38% da posse de bola em Itaquera.

Procuraram decidir o jogo em um lance. Não só o acharam no duelo como conseguiram finalizar com precisão, outra arma bastante utilizada pelo próprio Corinthians contra os demais. O gol do Vitória, aos 11 min do primeiro tempo, serve de exemplo. Com rapidez, a bola roubada na direita do ataque do Corinthians chega até Neilton, na intermediária ofensiva do Vitória. Ele, pelo meio da última linha defensiva, enfia a bola na direita. Tréllez, em velocidade, dispara. A bola desvia em Arana e entra.

"Analisamos os pontos fortes e onde mais o Corinthians insistia em sair jogando. Como marcaríamos atrás, estudei onde iniciava a transição deles e montamos a estratégia", diz Vagner Mancini, técnico do Vitória, à reportagem.

O Corinthians, que gosta de dar a bola ao adversário e sair em disparada quando a tem, deixou de ganhar 12 pontos em Itaquera no Brasileiro. Jogar em casa, em tese, significa propor mais o jogo.

A leitura do treinador que acabou com a invencibilidade do Corinthians é a mesma dos outros times que também não perderam para o líder. Após a surpreendente vitória do lanterna sobre o alvinegro em Itaquera, a explicação enfim surgiu. Para João Paulo Sanches, técnico do Atlético-GO, "concentração" e "intensidade defensiva" decidiram. Antes da partida, os jogadores foram alertados das possibilidades para tentar balançar as redes adversárias.

Contra-ataque ou bola parada. A segunda resolveu.Mas, uma semana antes, no gol do Vitória, a transição rápida para o ataque é que havia sido determinante."Roubamos uma bola e contra atacamos", relembra o técnico Mancini. "O foco não foi a nossa defesa. Marcamos forte a saída de bola. Após o gol, nos defendemos como qualquer equipe faria".

Citando o exemplo do Leicester, campeão inglês da temporada 2015/2016, Claudinei Oliveira, técnico do Avaí, também conseguiu segurar o Corinthians na partida em Florianópolis. "Às vezes temos que abrir mão de um futebol vistoso e sermos mais pragmáticos".

Pragmatismo que também é a palavra de ordem de Fábio Carille, em Itaquera.

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