Nas salas de aulas onde crianças deveriam estar sendo educadas, há fezes no chão, carotes de pinga e lixo espalhado por toda parte. Na recepção, inspetores e monitores de alunos deram lugar a usuários de drogas. A sala dos professores se transformou em quarto. Sem comando, a diretoria virou o QG dos invasores. O pátio virou área de lazer dos ocupantes, com direito à churrasqueira. Uma ligação clandestina, no melhor estilo “gato”, garante a iluminação.
O cenário descrito acima revela a situação atual da Escola Estadual “Nadeide Scarabucci”, localizada na vila São Sebastião, e que recebia centenas de jovens alunos até o final do ano passado. A unidade foi fechada e está abandonada. São pelo menos 15 salas de aula vazias, administração, pátio, refeitório, cozinha, cantina, tudo se deteriorando. O que era de interesse ou de valor, foi levado por criminosos. Com o portão escancarado, o prédio está tomado por moradores de rua.
Na tarde de ontem, o Comércio esteve no local. Havia cerca de dez pessoas no interior. Logo na entrada, um artesão não fez rodeios sobre sua presença. “Não vou mentir para o senhor, não. Vim aqui para fumar droga”. Lá dentro, havia gente tomando cerveja, pinga e “vodca Askov de frutas vermelhas”. Eram 14 horas. No pátio, um churrasquinho com linguiça, frango e carne de vaca. “Sabe de quem é a culpa disso que está acontecendo aqui?”, me perguntou Alexandre de Souza, que está morando no local há 25 dias. Ele mesmo respondeu. “A culpa é do Estado, que fechou a escola e não deu outra destinação. As crianças podiam estar estudando e se divertindo na quadra. A situação estava pior. Quando vim morar aqui, comecei a tomar conta e a limpar. Tirei uns oito carrinhos de sujeira. O descaso é muito grande. O prédio é do governo, mas o dinheiro é da população que paga impostos”.
A Secretaria Estadual de Educação afirmou que a escola encerrou suas atividades após uma unidade municipal ser inaugurada a poucos metros de distância. “Os pais dos alunos foram consultados e concordaram com a transferência. Com o fechamento, o prédio foi devolvido à Prefeitura e, portanto, está sob responsabilidade da administração municipal”.
A Prefeitura informou que a Secretaria de Educação está ciente do problema e já enviou a equipe da manutenção ao local e que irá tomar providências quanto à segurança do prédio.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.