Enquanto você lia o título e começava a leitura deste texto, uma pessoa morreu vítima de acidente de trânsito. É isto mesmo. A cada 25 segundos uma pessoa morre por acidente em algum lugar do mundo.
A informação foi divulgada ontem durante o Fórum Internacional de Segurança no Trânsito ‘Soluções de Hoje para o Trânsito de Amanhã’, realizado em São Paulo pela Arteris, uma das maiores companhias do setor de concessão de rodovias do Brasil. O evento foi encerrado com o consenso de que nada mudará se os motoristas não reverem o seu comportamento.
Em Franca, de janeiro até o dia 4 de setembro, o trânsito registrou 29 mortes, segundo o InfoSiga, que compõe o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, do governo do Estado de São Paulo, e de um levantamento feito pelo Comércio. Treze mortos ocupavam motos, sendo que nove vitimas tinham menos de 35 anos.
O elevado número de mortos não é um problema localizado. A segurança no trânsito é um desafio global. Informação divulgada no Fórum da Arteris, com base em dados da ONU (Organização das Nações Unidas), revela que 1,25 milhão de pessoas perdem a vida no trânsito, por ano, ao redor do mundo. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, os jovens são as principais vítimas fatais no Brasil. Em 2014, foram registrados 5.329 óbitos de crianças e jovens com idade entre 0 e 19 anos. Em 2015, foram 4.510 óbitos da mesma faixa etária. “É inaceitável que tantas pessoas morram vítimas de acidente. Infelizmente, os jovens são as principais vítimas. Não há mudança neste cenário, sem alteração no comportamento dos motoristas. Para isto, é preciso investir na Educação”, afirmou David Díaz, presidente da Arteris.
Lições
Foi com o objetivo de alterar essa realidade, trocar experiências e estimular futuras estratégias dos setores público e privado em prol da segurança no trânsito, que a empresa promoveu o Fórum. Participaram do encontro representantes de grandes empresas, órgãos públicos, especialistas do setor e jovens embaixadores.
Pere Navarro, ex-diretor geral de tráfego da Espanha e consultor em mobilidade e segurança rodoviária, explicou como o País reduziu pela metade os acidentes viários. Excesso de velocidade e uso do celular ao volante foram os principais problemas constados. As ações começaram pela mudança do comportamento, fiscalização, punição, boa política de mobilidade, ordenação de motos e disciplina de bicicletas. Ele disse que as lições que devemos seguir são: atentar à importância em se cumprir a lei, à importância dos meios de comunicação na divulgação, à importância da sociedade civil no desenvolvimento de ações e não buscar culpados mas, sim, soluções.
Seis jovens de escolas públicas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais, entre eles, uma adolescente de Franca, apresentaram um manifesto às autoridades com ideias e sugestões para um trânsito mais humano.
O público interagiu com os palestrantes e respondeu à uma enquete eletrônica sobre as sugestões para a redução do número de acidentes. 54% disseram que é necessário um comportamento mais prudente dos motoristas. A platéia também defendeu fiscalização e punição exemplares.
Um cronômetro instalado no painel em frente ao palco fez a contagem em tempo real de quantas pessoas morreram por acidentes de trânsito durante o Fórum: foram 670 pessoas. “Noventa e quatro por cento dos acidentes ocorrem por falha humana. Nosso grande desafio é a mudança de comportamento dos motoristas”, disse Silvia Lisboa, do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito.
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