ALTO NÚMERO DE MULTAS NÃO É CULPA DE UMA ‘INDÚSTRIA’: CONDUTORES ABUSAM
Embora se saiba, há muito tempo, que o motorista francano, por mais exigido que seja em sua formação, assim que toma posse de sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação, a carta de motorista) aparentemente esquece-se de tudo o que aprendeu. Quem é acostumado com o trânsito pesado em cidades maiores, como São Paulo e Campinas, por exemplo, diz que o motorista (ou motociclista) francano não resistiria incólume nas ruas e avenidas destas metrópoles. Não que todo condutor de veículos automotores de Franca não use da prudência. Mas há uma grande parte dirige sem a mínima prudência, ignorando as disposições do CNT (Código Nacional de Trânsito). Ao mesmo tempo, ainda se reclama de uma hipotética “indústria das multas” existente no município. Mas isso, como deixou bastante claro reportagem do Comércio em sua edição de sábado: as infrações de trânsito são as grandes responsáveis pelo alto número de multas (mais de cem por dia) registrado por aqui.
O Comércio obteve dados que ajudam a desmistificar o suposto uso em excesso da caneta e que devem servir de reflexão para motoristas. Há, sim, uma indústria, mas de abuso. Franca tem uma frota de 249.524 veículos. No período de janeiro a julho deste ano, a Polícia Militar aplicou 22.760 multas, contra 23.071 mil verificadas no mesmo período de 2016. Nesta conta não entram os 4,1 mil casos de excesso de velocidade flagrados pelos radares eletrônicos. “Os números mostram que estamos muito longe de uma indústria de multa. Infelizmente, o que a gente constata nas ruas é o excesso de abuso por parte dos condutores”, disse o tenente Régis Antônio Mendes, responsável pelo Pelotão de Trânsito da PM. Ele está certo. Em Franca, o uso de cinto de segurança, considerado obrigatório pelas leis do País, tornou-se “facultativo”. Assim como a sinalização de parada obrigatória, de limite de velocidade e até de contramão.
Para piorar, o condutor francano, neste caso o motorista, não se furta em utilizar o celular com o carro em movimento, além de ignorar completamente o uso da seta ao fazer conversões, entre várias outras infrações passíveis de multa. Já os motociclistas ou não utilizam o capacete ou o usam de forma irregular. Como se pode ver, na maioria das vezes, a segurança (própria e de terceiros) é negligenciada. E o índice de acidentes (e de multas) só aumenta, por causa da falta de cuidado. Aqui em Franca, sempre é preciso dirigir por si e pelos outros que nos cercam. Só a atenção de condutores conscientes evita que o número de colisões, atropelamentos e abalroamentos seja maior. Infelizmente, é esta a nossa realidade que só poderá ser mudada se quem dirige por nossas ruas mudem a sua atitude.
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