'Isso iria acontecer', diz mãe do jovem que matou o pai


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Agentes funerários carregam caixão de Anderson de Assis, morto pelo filho no último dia 26
Agentes funerários carregam caixão de Anderson de Assis, morto pelo filho no último dia 26
Depois de ver o marido ser assassinado com mais de 30 facadas pelo próprio filho, um sapateiro de 19 anos, a mulher de Anderson José de Assis, 38, desempregado, quebrou o silêncio. Além de dizer que sabia que, um dia, isso aconteceria, ela contou ter apanhado por anos do marido e que seus filhos sempre presenciaram tudo. Definiu o sapateiro Maicom Vital de Assis como alguém “cansado de ver a mãe apanhando e sofrendo nas mãos do pai”. Também afirmou que, apesar de tudo que Anderson “causou à família” e de não terem paz, ela amava e ama muito o marido.
 
Com um semblante abatido e emoção na voz, a mulher, que prefere que seu nome seja mantido em sigilo, falou com exclusividade sobre o caso à rádio Difusora. Afirmou que Anderson era viciado em drogas ilícitas e álcool e não cuidava dos filhos nem da casa. “Ele nunca foi pai. Só fez os filhos. Sempre aprontou comigo e meus dois meninos não aceitavam. Até filho com outra mulher ele arrumou e ainda me agredia”, disse.
 
Segundo a mãe, a confusão que terminou em tragédia começou ainda na noite de sexta-feira. Como de costume, Anderson saiu para beber e voltou totalmente alterado por volta de 2 horas. “Ele chegou brigando com todo mundo. Até me chamou de vagabunda e o Maicom viu tudo. Começou a se irritar”, narrou. O desempregado teria insistido para que o filho saísse novamente com ele e, para evitar que a situação piorasse, a mulher foi até o sapateiro para pedir que ele fosse com o pai. “O Maicom foi e eles voltaram às 4 horas. Dei até dinheiro para colocar combustível no carro. O meu marido continuou brigando muito e não deixou ninguém em paz”, disse.
 
Mesmo com toda a confusão instaurada na casa, o homem insistiu em sair de novo. Por quase duas horas, a mulher ficou dentro do carro com ele e, enfim, conseguiu que ele ficasse mais quieto para que ela pudesse sair para trabalhar. Acreditando que tudo estava bem, ela pegou o ônibus e foi. Pouco depois, recebeu a notícia da morte de Anderson. “Veio uma mensagem no celular avisando que meu filho tinha matado meu marido. Eu sabia que um dia isso ia acontecer. Mesmo não querendo ter uma atitude extrema assim, o Maicom não aguentava mais essa situação”, disse ela.
 
O caso
O crime ocorreu no dia 26 de setembro, por volta de 9h30, na rua Irene Rodrigues Pereira. Segundo o apurado pela Polícia Civil, Anderson teria chegado em casa alterado pela bebida e brigado com toda a família. Fez ameaças a todos e o filho se revoltou. No meio da confusão, Maicom pegou uma faca e começou a golpear o pai. 
 
Ainda de acordo com a polícia, foi possível notar mais de 30 golpes de faca no corpo de Anderson. Algumas atingiram seu pescoço e peito. Ele foi socorrido pelo Samu, mas já era tarde. Maicom também sofreu ferimentos durante a briga e foi atendido na UPA do Aeroporto. 
 
Depois, foi conduzido ao Plantão Policial, onde prestou depoimento e foi indiciado por homicídio qualificado, sendo recolhido à Penitenciária de Franca. Ele está preso e sua mãe tem esperança de conseguir sua liberdade logo. “Meu filho será livre. Ele é um bom menino e não merece isso. Nossa vida era chorar e sofrer por causa do meu marido. Agora, sim, nós vamos viver”, disse, emocionada.
 

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