Se esta rua fosse minha
eu mandava ladrilhar,
não pra automóvel matar gente,
mas pra criança brincar.
Se esta rua fosse minha,
eu não deixava derrubar,
se cortasse todas as árvores,
onde os pássaros iriam morar?
Se este rio fosse meu,
eu não deixava poluir;
joguem esgotos noutra parte
que os peixes moram aqui.
Se este mundo fosse meu,
eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças.
José Paulo Paes (1926-1998),
poeta e tradutor
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