Faça o teste. Fique por alguns minutos em alguma via movimentada de Franca, observe os veículos e conte as infrações de trânsito que flagrou. Com certeza, vai ver um monte de motorista falando ao celular ou dando aquela checada nas redes sociais. Também vai ver gente sem o cinto, furando o sinal, desrespeitando o pare ou passando a mil pela pista. Não será surpresa ver motoqueiros sem capacete ou usando inadequadamente o equipamento. Se você fosse policial quantas multas teria aplicado?
A resposta ajuda a explicar um tema que volta e meia é levantado em Franca. O assunto causou polêmica na sessão da Câmara do dia 22 de agosto. Um corretor de imóveis usou a tribuna e, sem apresentar números, reclamou do excesso de autuações em Franca. “A Polícia Militar e a Prefeitura estão abusando. Há uma indústria de multa em Franca”. Foi rebatido pelos vereadores.
O Comércio obteve dados que ajudam a desmistificar o suposto uso em excesso da caneta e que devem servir de reflexão para motoristas. Há, sim, uma indústrias, mas de abuso. Franca tem uma frota de 249.524 veículos. No período de janeiro a julho deste ano, a Polícia Militar aplicou 22.760 multas, contra 23.071 mil verificadas no mesmo período de 2016. Nesta conta não entram os 4,1 mil casos de excesso de velocidade flagrados pelos radares eletrônicos. Cerca de 350 policiais trabalham no batalhão de Franca. Todos estão autorizados a multar, mas, a ampla maioria das autuações é feita pelos integrantes do Pelotão de Trânsito, que é formado por 15 homens. Nem todos estão de prontidão ao mesmo tempo. Normalmente, sete PMs ficam nas ruas no turno de serviço.
Com base nestes números, faremos uma conta rápida: As 22.760 multas divididas pelos sete meses analisados, equivalem a uma média de 107,3 multas diárias. Ou seja, cada um dos sete policiais do Pelotão de Trânsito fez uma média de 15 multas por dia. “Os números mostram que estamos muito longe de uma indústria de multa. Infelizmente, o que a gente constata nas ruas é o excesso de abuso por parte dos condutores”, disse o tenente Régis Antônio Mendes, responsável pelo Pelotão de Trânsito da PM.
A falta do cinto de segurança lidera o ranking das cinco infrações mais cometidas, seguida do uso do celular ao volante, falta de licenciamento, desrespeito do semáforo e da falta de cuidados indispensáveis, como uso irregular do capacete. “Tirando a questão do licenciamento, as demais infrações elevam o risco de acidentes, que podem causar graves ferimentos ou provocar mortes. Dificilmente, acontece um acidente se não tiver a infração de trânsito. Nossa meta é combater as infrações para reduzir o número de acidentes e, por consequência, o número de mortes. O motorista que seguir as regras de trânsito não terá problemas com a fiscalização, não vai se envolver em acidentes e, vamos além, será exemplo para as futuras gerações”, concluiu o tenente Régis.
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