De primeiro, em terras muito longínquas, durante toda a primavera, o vendaval hibernava. Depois, quando o verão bafejava seu hálito quente no interior da morada, ele arribava com sua prole e visitava florestas, onde ensinava música para seus filhotes.
As árvores, rasteiras ou esguias; os troncos, hartos ou tenros; as folhas e os galhos, tudo era instrumento de sopro. E, enquanto os maiores treinavam trons e silvos, os menores entoavam cantigas de ninar.
Quando o outono se ia, ia-se também cada membro da família, passeando em aragens, recolhido em sussurros e acalantos.
Depois veio o homem e desmanchou o bosque.
Apagado o jardim, agora o vendaval e seus filhos percorrem avenidas e becos, dobram esquinas e circulam praças. Desnorteados, sopram seus gritos dissonantes, trombando desarmonias em troncos inflexíveis.
A voz do pai, da mãe, dos filhotes é som rude, que apaga a paz, e acorda o medo nos corações.
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