Crianças e jovens se alimentam mal


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PESQUISA APONTA QUE OFERTA DE ALIMENTOS NUTRITIVOS NAS ESCOLAS AINDA É BAIXA
A obesidade infantil está cada vez mais presente em nossa sociedade, tornando esse um grande desafio para os próximos anos. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde mostram que, em 2013, aproximadamente 8% de todas as crianças de 0 a 5 anos eram consideradas obesas no Brasil. Em números absolutos, eram 345.270 crianças nessa condição, dentro da faixa etária, o que representa um aumento de 79,3% desde 2008. Nutricionistas apontam os maus hábitos alimentares como a principal causa do aumento. Ou seja: crianças e adolescentes ainda preferem os alimentos industrializados, com excesso de carboidratos refinados (açúcar invertido, maltodrextina, frutose, açúcar branco, xarope de glicose), gordura trans, hidrogenada, saturada, corante, edulcorantes e outras substâncias artificiais que são inseridos nos produtos sem necessidade, garantem especialistas.
 
Um interessante estudo deixa bem clara a situação: dois de cada três alimentos consumidos por crianças e adolescentes nas cantinas de escolas privadas do país têm baixo valor nutricional. Essa é uma das conclusões da pesquisa Hábitos Alimentares de Crianças e Adolescentes em Cantinas de Escolas Privadas no Brasil em 2016, realizada pelo CBR (Center for Behavioral Research) da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV Ebape). Foram analisadas mais de 1,2 milhão de compras feitas no ano passado por mais de 19 mil estudantes em cantinas de 97 escolas localizadas em 25 cidades de sete estados brasileiros (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Santa Catarina e Bahia) e do Distrito Federal.
 
As amostras permitiram constatar que os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo lideram a lista de estados onde os adolescentes consomem mais produtos de baixo valor nutricional. Em torno de 76,9% do que é consumido pelas crianças e adolescentes nas escolas do Rio de Janeiro são de baixo valor nutricional. Esse índice atinge cerca de 60% em São Paulo. Se o estudo for ampliado para as escolas públicas, serão encontrados números semelhantes, se não piores. Acontece que nas escolas públicas, não apenas as cantinas oferecem alimentação de baixo valor nutritivo e alto teor calórico, mas também a merenda é composta por grande volume de carboidratos, além de embutidos de toda a sorte. Somando-se ao sedentarismo que toma conta de nossas crianças, o índice de obesidade infantil cresce a cada dia. É preciso que o Poder Público (no caso, autoridades da educação), professores e funcionários das escolas se unam aos pais para conseguir melhorar o cardápio e permitir que nossas crianças deixem estas estatísticas negativas. 
Só assim é que a situação poderá ser contornada.
 

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