O procurador da República Rodrigo Janot emitiu interessante ponto de vista ao início desta semana, considerando que “já se pode vislumbrar o fim da Operação Lava Jato”: deflagrada há pouco mais de três anos, tornou-se a menina dos olhos de brasileiros cansados de partidos políticos que se perpetuavam no poder; de políticos incapazes de representar seus eleitores com dignidade; empresas e empresários que fizeram da bandidagem missão, meta e visão de futuro.
Durante este tempo, centenas de personagens finalmente pilhados, deram origem a incansável caçada a dinheiro desviado, operações e negociatas que deveriam envergonhar qualquer país sério, menos aqui. Até março deste ano, R$ 10 bilhões foram repatriados e mais de noventa condenações geraram 1.383 anos de prisão “legislativa e judicialmente incumpríveis” (os termos são ruins, são meus, mas são capazes de explicar porque este país não é sério).
Não à toa, os nomes de Rodrigo Janot, Deltan Dallagnoll, Sérgio Moro, do ex-ministro morto Teori Zavascki, e de seu sucessor no STF, Edson Fachin, tornaram-se “amigos confiáveis” das pessoas sérias. O brasileiro carente do ídolo Ayrton Senna encontrou em alguns membros do MP e em outros poucos do Judiciário — não de todo o Judiciário, já que ministros do STF os há para todos os gostos e para todos os interesses como se pode depreender das últimas decisões da suprema casa da lei brasileira — candidatos a tal, capazes de se moverem além de suas rotinas e expressarem, com veemência, pontos de vista discordantes de leis que legisladores tendenciosos produzem às escâncaras e desavergonhadamente neste país.
A fala de Janot não encerra nenhuma teoria de conspiração. É, isto sim, simples e pedagógica como a exposição de provas que ofereceu ao STF e à Câmara dos Deputados para pedir investigação do presidente Temer, por corrupção passiva. O final é conhecido: o Tesouro Nacional mais pobre em muitos bilhões endereçados à compra de votos de “deputadaiada” ávida por mais algum, e coligada a interesses por “governança continuada, com investigação e julgamento só ao final do mandato”, que permitiu raposa continuar no comando do terreiro das galinhas.
Janot, em essência, não quis levar ninguém a duvidar da continuidade da Lava Jato. Apenas observou que o número de ações geradas pela operação é grande, mas sem resultados práticos. Sugere que seria melhor parar e concentrar esforços para garantir a justiça possível e aguardar que, por obra de Deus, ou de educação de cidadania finalmente levada a sério, tomasse vulto organização popular para penalizar, pelo voto, a pátria amada salve salve que Ali Baba e os seus tomaram como deles. Utopia, mas em Janot e sua fina ironia, está recado que todos precisamos ouvir...
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor, tutor e mentor de fala e gesto - luizneto@luiznetocomunicacao.com.br
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