República dos ‘caras de pau’


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MESMO DIANTE DE PROVAS IRREFUTÁVEIS, CORRUPTOS AINDA SE DIZEM INOCENTES
 
O brasileiro não pode mais quedar, passivo, diante das extensas provas de que a corrupção se disseminou por todas as instâncias da administração pública. Desde o presidente da República — gravado em uma conversa nada republicana com um empresário que confessou ter distribuído propinas a granel, o que lhe permitiu criar o maior conglomerado no comércio de proteína animal no mundo à custa do dinheiro público — até a um simples governador de Cuiabá — gravado recebendo dinheiro de propina durante o governo de Silval Barbosa (PMDB) no Estado de Mato Grosso. A desfaçatez com que todos os implicados estão tratando as investigações sobre corrupção no País utilizando um escárnio inaceitável para um homem público.
 
Ontem, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado e ex-ministro de Michel Temer (teve que renunciar por causa da denúncias), usou de grosseira ironia para tentar desclassificar nova denúncia do procurador-geral Rodrigo Janot (que deixa o cargo em poucos dias): ele disse que Janot tem “fixação” por ele e “fetiche” por seu bigode. Uma declaração que não deveria partir de um senador da República que ainda não esclareceu, de forma definitiva, as pesadas denúncias das quais é alvo. Assim como o ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, também envolvido no esquema montado em seu Estado para desviar dinheiro público. Hoje ministro, Maggi age como dezenas de outros parlamentares e políticos flagrados com a boca na botija, desviando o suado dinheiro do contribuinte para os seus próprios bolsos.
 
Como se pode ver, estamos vivendo numa verdadeira “república dos caras de pau”, que locupletaram e, mesmo diante das provas cabais de sua culpa, ainda têm a desfaçatez de aparecer na televisão (alguns na propaganda política de seus partidos) vociferando contra a corrupção que transformou o Brasil em “país da roubalheira”. É revoltante acompanhar entrevistas e declarações destas figuras à imprensa, dizendo-se inocentes e prometendo “provar a inocência”, à espera de uma decisão favorável do STF (Supremo Tribunal Federal). Caso não tivéssemos códigos legais lenientes e ultrapassados, estariam todos na cadeia, já julgados e condenados por embolsar um dinheiro que não é deles. O brasileiro precisa reagir e exigir lisura e probidade de seus representantes eleitos. Também não pode aceitar tudo o que vem sendo votado no Congresso Nacional, como a pífia reforma política que tentam aprovar para manter os benefícios e benesses das quais desfrutam, o que não encontra paralelo em nenhuma outra democracia do planeta. Precisamos gritar, protestar e mostrar, nas urnas, a nossa insatisfação com tudo o que aí está.

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