DIA DE COMBATE AO FUMO ALERTA PARA DOENÇAS CAUSADAS POR TABAGISMO
Instituído em 1986, o Dia Nacional de Combate ao Fumo é lembrado nesta terça-feira. A data tem como objetivo conscientizar a população sobre os danos causados à saúde pelo uso do tabaco. Estatísticas da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que mais de seis milhões de mortes acontecem todos os anos no mundo devido ao tabagismo. Com mais de 4,7 mil substâncias presentes em sua composição, o cigarro está relacionado a doenças do sistema cardiovascular, como infartos, derrames e acidentes vasculares cerebrais (AVC); além de cânceres de boca, pulmão e de laringe. As doenças respiratórias mais recorrentes e associadas ao tabaco são enfisemas pulmonares, bronquite, infecções respiratórias e até embolia pulmonar.
Os malefícios não são notados apenas a longo prazo; algumas alterações no organismo podem ser percebidas no cotidiano de quem fuma. “As decorrências podem aparecer imediatamente com o aumento da pressão arterial, alterações de glicemia, mudanças no olfato e no paladar, na textura da pele, queda de cabelos”, descreve Sérgio Pontes, da Aliança Instituto de Oncologia.Estudos recentes constataram que o cigarro pode prejudicar até mesmo o canal auditivo causando, a longo prazo, zumbidos na região. A otorrinolaringologista Aliciane Mota explica que os fumantes são mais propensos a apresentarem otites — inflamações do ouvido — de repetição, rinites alérgicas, sinusites, faringites, câncer de boca e de laringe. “Aqueles que já sofriam com rinites e sinusites antes de fumar têm o quadro agravado com o tabagismo”, ressalta a médica do IBORL (Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia).
Embora as leis antifumo, como a existente em São Paulo, sejam importantes para a redução no número de fumantes, mas como ocorre com outros vícios, depende do próprio usuário abandonar o tabagismo. Do contrário, não conseguirá os resultados esperados para qualquer tratamento. Não adianta a família mobilizar médicos ou investir se o paciente não estiver realmente determinado a parar de fumar. Nem o aumento da tributação é capaz de refrear o vício. Além do desejo do fumante, o Poder Público ainda peca nas políticas de apoio ao tabagista, que precisa, além do apoio de familiares e amigos, de um programa sério de assistência, uma vez que o fumante não causa mal apenas para si, mas também para a saúde daqueles que o cercam, os chamados fumantes passivos, sujeitos aos mesmos males que o consumidor de cigarros. Ações simples, como aconselhamento psicológico e tratamento químico, que já se mostraram eficazes contra o tabagismo, precisam chegar à rede pública de forma efetiva, oferecendo aos viciados em cigarros o mesmo respaldo destinado a outros tipos de dependentes químicos.
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