Saneamento anda para trás


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BRASIL NÃO INVESTE E ATRASA A META DE UNIVERSALIZAÇÃO EM VINTE ANOS
 
Houve um tempo, no Brasil, em que o Poder Público só investia em obras vistosas, como hospitais, pontes, estradas e viadutos. As autoridades diziam, entre si, que “investir em obras enterradas não rende votos”!. Foi assim durante décadas e décadas e muitos ainda pensam assim nos dias de hoje. Somente a partir dos anos 1960, com Juscelino Kubitschek, é que se viu a importância do saneamento básico para a redução de doenças, moléstias e a mortalidade que afetava a população dos recantos mais remotos do País, como Norte e Nordeste, ou rincões de Minas Gerais, São Paulo e Centro-Oeste. A partir daí, os investimentos cresceram e, ainda nos anos 1980, o município de Franca conseguiu atingir uma meta que ainda hoje não passa de projeção em grande parte do Brasil: 100% da população atendida por água tratada e pela rede de esgotos. Além disso, a quase totalidade dos esgotos também passa por tratamento em Franca.
 
Vivemos atualmente um universo que, pelos números apresentados, está bem distante da realidade vivida no resto do País, por causa desta visão retrógrada que ainda atinge nossa classe política. De acordo com o Ministério das Cidades, o percentual de pessoas atendidas em áreas urbanas por redes de água e esgoto estagnou em 2014 e deixou o País mais longe da meta de atingir a universalização do saneamento até 2033. O índice de atendimento por rede de água passou de 93% em 2013 para 93,2% no ano seguinte, e o de esgoto, de 56,3% para 57,6% (ambos nas áreas urbanas). A meta do País é chegar a 2023 com a universalização do acesso à água e 93% de atendimento de rede de esgoto dez anos depois. Porém, pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que o plano vai atrasar ao menos 20 anos no ritmo em que está. Para alcançar a meta, o valor dos desembolsos teria que superar os R$ 25 bilhões ao ano e, desde 2014, não chega nem à metade disso. 
 
Além do desinteresse e da inexistência de um programa efetivo que atinja a meta traçada pelo governo, os desvios causados pela corrupção e a falta de organismos eficientes de controle vão continuar legando ao brasileiro um saneamento básico de qualidade inferior, deixando todos nós sujeitos às condições nocivas decorrentes. Se não houver um esforço no sentido de investir o programado para este período, continuaremos andando para trás na questão do saneamento básico, à custa da saúde e do bem estar da população brasileira. É preciso que se ressalte a importância de água e esgotos tratados na redução de uma série de doenças que ainda hoje matam brasileiros. O impacto ambiental também seria positivo. Até quando a população que mais precisa vai continuar pagando pela ineficiência de nossos governos?
 

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