PAÍS É UM DOS CAMPEÕES MUNDIAIS: 1/3 DO QUE COMPRAMOS VAI PARA O LIXO
Há muito se trata o desperdício como uma das principais mazelas do Brasil. E ele aparece em todos os setores, principalmente quando não se há responsabilidade no trato com a coisa pública. O País gasta muito e gasta mal. Verbas públicas são descaradamente desviadas e setores que exigem maiores investimentos são negligenciados. Sabe-se de antemão que preços de alimentos são superdimensionados em razão das perdas que ocorrem desde a sua produção, passando pelo transporte, armazenamento e distribuição.
Segundo dados da World Resources Institute (WRI/Brasil, uma instituição de pesquisa internacional), 41 milhões de toneladas de alimentos ao ano têm o lixo como destino. Isso coloca o Brasil, segundo ela, entre os dez países que mais perdem e desperdiçam alimentos no mundo. Cerca de 30% de tudo o que é produzido no mundo é desperdiçado e perdido antes de chegar à mesa do consumidor. Isso provoca, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), um prejuízo econômico estimado em US$ 940 bilhões por ano, o que corresponde a cerca de R$ 3 trilhões.
Conforme levantamento da Embrapa, o volume de desperdício diário (equivalente a 39 mil toneladas por dia) seria suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros, com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e jantar. Já dados do IBGE dão conta de que os brasileiros despejam nas lixeiras de suas residências diariamente 125 mil toneladas das sobras das compras. Somando com os restos deixados pela indústria e pelo comércio, o total chega a quase 230 mil toneladas diárias. O desperdício é muito grande, desde a colheita (20%), passando pelo transporte e armazenamento (8%), pela indústria de processamento (15%), pelo varejo (1%) e pelo processamento culinário e hábitos alimentares (20%).
Percebe-se claramente que a população mundial (e o brasileiro em particular) não se preocupa com a economia. A falta de racionalidade para com os gastos com alimentação se irradia para outros setores, como o uso de água e energia elétrica. No fim, não nos preocupamos com os reflexos que este tipo de atitude pode trazer. E só nos manifestamos quando há escassez de qualquer produto, o que provoca aumento de preço. Nós ainda não aprendemos a comprar em pequenas quantidades, para consumo rápido. Compra-se multo, compra-se mal e consome-se pior ainda. Não se pode admitir que os utensílios de cozinha casa vez modernos não sejam utilizados como facilitadores. Neste campo ainda nos comportamos como estivéssemos séculos atrasados. É necessária uma conscientização para que o Brasil deixe de jogar tanto dinheiro fora, diretamente na lata de lixo.
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