80% das vítimas de estupro em Franca têm menos de 14 anos


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 Delegada Graciela Ambrósio diz que maioria dos estupradores é composta por parentes das vítimas
Delegada Graciela Ambrósio diz que maioria dos estupradores é composta por parentes das vítimas
Quarenta e cinco casos. Esse é o número de estupros registrados em Franca de janeiro a julho deste ano. Os dados, divulgados semana passada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado de São Paulo, trazem à tona diversas ocorrências em que as vítimas, de diferentes faixas etárias, sofreram algum tipo de abuso. Desses, 80% correspondem a crimes contra vulneráveis. Segundo a delegada Graciela Ambrósio, da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), as vítimas em Franca são especialmente crianças de até 12 anos.
 
Para a lei, vulneráveis são  pessoas que têm menos de 14 anos; ou que não têm capacidade de discernir o que acontece em razão de uma deficiência ou por estarem dopadas e/ou embriagadas a ponto de não conseguir responder pelos próprios corpos.
 
Nos últimos sete meses, segundo a Secretaria, a Polícia Civil registrou 36 estupros de vulneráveis. E engana-se quem pensa que os responsáveis são desconhecidos das vítimas. Pelo contrário. É habitual deparar-se com familiares ligados a esses abusos. “Eles são pessoas próximas das vítimas e que possuem um vínculo mais íntimo com elas. Podem ser tios, avós, padrastos e até mesmo os pais. Os dois últimos são mais comuns e ‘atacam’ seus alvos com diversas formas de atos libidinosos, desde passadas de mão até concretização do ato sexual”, explicou Graciela.
 
Para a delegada, o fato de os índices deste ano estarem maiores que os de 2016, quando o mesmo período registrou 31 estupros, significa que as vítimas estão perdendo o medo de denunciar. “As pessoas não aceitam caladas e estão agindo da maneira correta, que é realizar a denúncia. Em pequenos passos, a sociedade está se conscientizando que isso não deve ser aceito e está procurando a polícia, tanto através de denúncias anônimas quanto no momento de registrar a ocorrência”, disse.
 
 
Sinais podem denunciar a violência
Falta de ânimo, medo, perda de confiança, mudança significativa de comportamento. Esses são alguns dos sinais que algumas vítimas de estupro - especialmente crianças - podem apresentar. Segundo a delegada Graciela Ambrósio, essas alterações devem ser observadas por pessoas mais próximas, e o diálogo é fundamental. “É necessário estar perto do vulnerável para apoiá-lo e, dependendo do que acontecer, procurar a polícia ou fazer denúncia anônima através do 197”, disse.
 
Para ela, a proximidade que possa existir entre acusado e vítima não deve ser levada em consideração no momento da denúncia.
 
“Quando se sente à vontade para falar, e percebe que está protegida, essa vítima fala. Nos casos de crianças, elas trazem detalhes que indicam o abuso. A partir disso, investigamos os casos e, dependendo do que for, acionamos o Conselho Tutelar e tomamos as medidas cabíveis”, ressaltou Graciela, que conta com o apoio da psicóloga Fabiana Zagolin nos depoimentos.

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