Para onde vai o ensino no Brasil?


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SEM PUNIÇÃO, MENORES DE IDADE CONTINUAM A AFRONTAR PROFESSORES
Não foi a primeira vez. E, a continuar no ritmo atual, não será a última, infelizmente. Mais uma vez, a mídia voltou a noticiar fato semelhante a vários outros ocorridos no interior de escolas públicas de ensino fundamental e médio do País envolvendo professores e alunos menores de idade. A notícia (como outras semelhante) deveria servir como alerta para a situação em que estamos vivendo, quando a confusão entre liberdade e licenciosidade torna mais evidente a necessidade de uma complexa reformulação em nosso sistema legal, onde o adolescente menor de idade pode tudo e não é cobrado por isso.
 
Segundo o amplamente noticiado ontem, inclusive pelo portal GCN, um aluno de 15 anos agrediu a professora dentro da escola em Santa Catarina. Márcia Friggi usou as redes sociais para denunciar ter sido atingida por vários socos. Além de xingamentos, a professora recebeu tapas e socos que a deixaram com o olho roxo e inchado, além do rosto sangrando. A educadora disse se sentir “dilacerada” após o fato. A situação é recorrente nos dias de hoje, quando há uma completa inversão de valores, com uma cerca de proteção irrestrita aos menores de 18 anos, que podem ajudar a escolher presidente, mas não podem ser responsabilizados por seus atos. Os professores não são mais respeitados e, pior, ameaçados ao cumprirem a sua missão: ensinar. E convivem no seu cotidiano com ameaças, agressões e muito medo, o que contamina todo o ambiente e prejudica o aprendizado daqueles que têm interesse em estudar.
 
A questão ainda envolve os pais que, por uma série de motivos, esperam que o professor, além de ensinar, eduque os seus filhos. Mas quando não encontram respaldo no ambiente familiar do aluno (que sofre influências negativas não apenas dentro de casa mas também em seu círculo de relacionamento), é impossível fazer qualquer coisa. Caso o professor fosse escudado pela legislação, a situação poderia estar bem diferente. Mas a qualquer ação mais ríspida acaba tendo que se explicar na delegacia de polícia mais próxima. Com isso, o profissional se sente acuado e totalmente desmotivado para levar a bom termo a sua vocação. 
 
Ensinar não é fácil. Formar cidadãos mais difícil ainda. Por isso é necessário que poder público e sociedade civil se unam no sentido de buscar uma solução definitiva para acabar com esta violência que chegou à sala de aula, reproduzindo o que vem acontecendo em nossas ruas. A legislação precisa proteger e defender os menores de idade. Mas esta proteção também tem que ser estendida aos que lidam com eles. A situação atual já se torna intolerável, na medida em que o menor de idade não é cobrado por seus atos. O fato envolvendo professora e aluno deve servir como um alerta de que a questão urge e o Brasil não pode esperar mais.

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