Caminho da paz é o da igualdade


| Tempo de leitura: 2 min
NÃO EXISTE NINGUÉM MELHOR DO QUE O OUTRO: SAÍMOS TODOS DA MESMA MATRIZ
‘Se nos picarem, não sangramos? Se nos fizerem cócegas, não rimos? Se nos envenenarem não morremos?’ Estas três frases do célebre dramaturgo William Shakespeare (1564 - 1616) em O Mercador de Veneza, espelham muito bem o pensamento da maioria da população mundial. O discurso do ódio, religioso ou racista, não cabe numa realidade na qual somos todos produtos de uma mesma matriz, formados por tecidos, ossos, músculos e sangue. Assim, não há ninguém que pode se considerar melhor do que outro: o que nos difere é a presença de mais ou menos melanina em nossa pele: sangramos, sentimos cócegas e um dia todos nós iremos morrer, o que difere é a causa. E a degradação vem para todos, inexoravelmente. A carcaça — se não for cremada — apodrece e nada restará do indivíduo.
 
Os episódios de Charlesttonville — e o discurso daqueles que pregam a supremacia da raça — repetem episódios da história da humanidade. E todos nós sabemos como isto termina, em conflitos e guerras onde multidão de inocentes é dizimada em nome de uma raça superior. Não há como reivindicar a “propriedade” de qualquer país, como tentam fazer parecer os supremacistas brancos de Charlesttonville: até a chegada dos europeus, a terra sempre foi dos indígenas que foram dizimados ao longo do tempo e muitos hoje vivem na indigência. O mesmo ocorreu no Brasil e em diversos outros países “descobertos” por portugueses e espanhóis (os principais navegantes de mais de cinco séculos atrás). Por isso, não existe raça superior (como Adolf Hitler apregoava ao dizimar milhões de judeus e outras minorias durante a II Guerra Mundial) ou “povo escolhido e puro” (como hoje sustentam radicais religiosos que investem, com violência, indistintamente contra quem não comunga com seus fundamentos tortos).
 
Não há livro religioso que pregue a intolerância e a violência contra o semelhante. A conquista da paz duradoura, desde quando a humanidade ainda engatinhava, passa pela tolerância às diferenças, pelo amor ao semelhante e pela fraternidade. A violência religiosa e racial não encontra eco em nenhum ensinamento deixado por Jesus Cristo, Buda, Maomé ou qualquer outro profeta comprometido com a paz e com a harmoniosa convivência entre seu rebanho e os povos deste nosso planeta. A igualdade transcende qualquer tentativa de confronto por causa da cor da pele, da posição social e da crença religiosa. O mundo, hoje tomado por convulsões e confrontos de toda ordem, precisa de uma retomada de consciência, onde o ser humano seja encarado da mesma forma, seja rico ou pobre, cristão ou muçulmano, negro ou branco, gordo ou magro... Somos todos iguais. E não há nada que possa ser dito capaz mudar esta condição.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários