Um estímulo extra para auxiliar na recuperação de bebês prematuros, o Projeto Octo, mais conhecido como polvos de crochê, tem se tornado cada vez mais popular no Brasil. Nascido na Dinamarca, em 2013, o projeto ajuda os recém-nascidos prematuramente a se sentirem mais seguros e confortáveis nas incubadoras das maternidades. Em Franca, o Hospital e Maternidade Regional é um dos espaços que adotaram a prática e já observaram os seus benefícios.
Confeccionados com material 100% algodão e tentáculos que não podem passar de 22 centímetros, os polvos de crochê são entregues às crianças dentro das incubadoras. No Hospital Regional a prática foi adotada pela primeira vez em abril deste ano. Até o momento a iniciativa acelerou a recuperação de pelo menos 14 recém-nascidos.
“Os polvos reforçam nas crianças a sensação de que eles ainda estão no útero das mães, provocando o bom desenvolvimento do bebê, especialmente nos quesitos respiratórios e na calma deles”, disse a pediatra Tatiane Ferreira Souza Machado.
“Todas as práticas que colocamos em ação são baseadas em estudos que mostram benefícios, que é o caso do projeto Octo. Na nossa experiência os bebês se mostraram mais tranquilos quanto ao processo de adaptação fora do útero, os mantendo mais seguros e aconchegados”, completou a médica.
Para a enfermeira coordenadora da UTI Neonatal do Regional, Vanessa Ramos Pereira Queiroz, outro fator importante é a integração das mamães com o projeto. “As próprias mães são as responsáveis por higienizarem os polvos e isso mantém um vínculo especial entre os dois, mesmo fora do útero. Além disso, é um alento para as novas mamães verem seus filhos, que normalmente estão com sondas e tubos de respiração, com um carinho extra”, disse.
Para viabilizar a doação dos polvos para os prematuros, o Regional conta com o apoio de voluntárias que mantêm o estoque sempre abastecido.
Francana já confeccionou 100 polvos
A artesã de Franca Márcia Castelo Branco, 55, passou a fabricar os polvos de crochê há cerca de 3 meses, após o pedido de uma amiga que teve um parto prematuro. “Comecei a fabricar os polvos por acaso. Uma de minhas sobrinhas pediu para eu fazer um polvinho para uma amiga querida que teve sua bebê prematuramente, aos 7 meses de gestação. Pesquisei na internet do que se tratava, achei interessante e me atrevi a produzir”, conta.
Para fazer um polvo de crochê, a artesã leva, em média, quatro horas. Nos três meses, ela produziu cerca de 100 polvos. Parte deles foi doada e outros vendidos. Para atender toda a demanda, ela mantém um pequeno estoque.
Os interessados em saber mais ou adquirir um polvo podem entrar em contato pelo telefone 98121-3080.
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