Sou lésbica desde que me entendo por pessoa. Tive relacionamentos com homens e, por muito tempo, achei que deveria seguir o que a igreja católica pregava. Era um dogma, eu não poderia questionar. Porém, eu nasci com um cérebro muito pensante e uma voracidade de conhecer a vida e as pessoas do tamanho do Universo.
Meu Deus sou eu, não preciso de intermediários. Não faço mal para os outros e tento ajudar sempre que posso... Isso é Deus, vocês não sabem o que falam.
Tenho 37 anos. Amo mulheres assumidamente desde os 18. Tive problemas sérios de aceitação tanto pessoal quanto familiar. Sofri agressão física e emocional... Assim como este projeto me agride como um soco no estômago.
Ao mesmo tempo que escrevo e tremo e uma tempestade se arma dentro de mim, uma outra parte me diz: “Jana, essas pessoas não sabem o que é o amor”.
E eu lembro muito da minha Jesus travesti Renata da Silva Carvalho Franzoni e da minha querida Jo Clifford que conhece a bíblia melhor que muito padre e pastor.
“Mas eu te digo: abençoada sejas se as pessoas abusam de você ou te perseguem, pois isso significa que você está trazendo a mudança. E abençoados sejam aqueles que te perseguem também, pois o ódio é o único talento que têm, e não vale nada. E vão perder o pouco que têm. Pois apesar do que eles possam dizer ou fazer, a mudança está chegando, e um dia o mundo será livre.”
Meu amor não veste templo religioso... Ele é puro e verdadeiro e não interfere em nada na vida das pessoas. Ao contrário, ele constrói e quando eu amo e sou amada pela minha mulher, eu me torno uma pessoa melhor no mundo.
Sugiro um boicote a este projeto, pois ele vai de encontro a tudo que é de vida, mas se quiserem uma justificativa bíblica está aqui:
Jesus
“Nunca disse: cuidado com os homossexuais, transexuais e gays por levarmos vidas antinaturais ou por sermos depravadas em nossos desejos. Eu nunca disse isso. Eu disse: cuidado com os autoindulgentes e os hipócritas, cuidado com aqueles que se imaginam virtuosos e proferem julgamento, aqueles que condenam os outros e se consideram bons. Seus lábios são cheios de bondade, mas seus corações estão plenos de ódio.”
Agora eu vou me acalmar... Apesar da dor de estômago, eu não me retiro da luta. Me atiro do alto que me atirem no peito da luta eu não me retiro.
*psicóloga, escritora e fotógrafa, lésbica e militante do movimento LGBT em Franca
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