Conheci a dra. Jurema Gomes Xavier no início do ano letivo de 1978, quando ingressei, cheio de sonhos, na FDF (Faculdade de Direito de Franca) e ela já lecionava Direito Civil desde 1975 para os alunos do primeiro ano. Professora exigente, como aliás deve ser todo professor, para o bem do próprio aluno. Mas ao mesmo tempo simpática, educada, compreensiva e comprometida em transferir aos seus alunos o máximo de conhecimento possível. Talvez, por não ter tido filhos, tratava os seus alunos como se filhos dela fossem. Com o seu jeito de ser, manteve com a nossa turma uma excelente convivência, tendo sido, com justiça, homenageada na cerimônia de colação de grau.
Depois, quando muito jovem iniciei a docência na FDF, evidente que experimentei as incertezas e inseguranças comuns a todos em início de carreira. Ela, nesse momento, ajudou-me a construir a confiança necessária para o exercício do mister. A nossa relação profissional transbordou para uma sólida amizade, que se estendeu à minha esposa Simone e ao Dr. Favorino, seu esposo, grande caráter, um gentleman na melhor acepção do termo. Sem dúvida o casal viveu uma linda história de amor, com harmonia e cumplicidade.
Tentei, como muitos outros, demovê-la a não fazer a cirurgia na coluna. Porém a sua determinação e as fortes dores fizeram com que ela levasse avante o seu intento. Infelizmente retornou à Franca, pós-cirurgia, já inconsciente e assim permaneceu até o seu passamento. Sem dúvida a FDF perdeu uma das suas referências. Os seus ex-alunos ficaram órfãos e nós, seus amigos e colegas, já estamos cheios de saudades. Gente como a Jurema faz falta à humanidade.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e orofessor da Faculdade de Direito de Franca
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