TRÂNSITO SÓ NÃO MATA MAIS DO QUE DOENÇAS CARDÍACAS E CÂNCER
Não tem jeito: o trânsito continua sendo um dos maiores causadores de mortes e sequelas no Brasil. Com mais de 50 mil óbitos por ano, só perde para as vítimas de câncer (223,4 mil mortes/ano) e doenças cardiovasculares (308 mil vítimas fatais/ano). Embora não exista números consolidados a respeito dos acidentes de trânsito, o Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes, atrás da Índia, China, EUA e Rússia. Segundo o Ministério da Saúde, em 2015, foram registrados 37.306 óbitos e 204 mil pessoas ficaram feridas. O DPvat (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), por seu turno, pagou em 2015 42.500 indenizações por morte no País e 515.750 pessoas receberam amparo por invalidez.
Franca não fica atrás, com o registro diário de acidentes, muitos deles com vítimas fatais ou incapacitadas. E o principal ingrediente destes índices perversos é a imprudência que causa a maioria dos atropelamentos e colisões entre veículos automotores. Um exemplo disso é o acidente registrado na avenida Major Elias Motta, no Jardim São Luiz, domingo, que deixou três pessoas feridas. Segundo a PM, o motorista de um Gol (que teria a sua CNH vencida) bateu no Palio em que uma família estava e fugiu sem prestar socorro às três vítimas, até mesmo para a namorada que o acompanhava. A suspeita é de que ele disputava um “racha” com outro carro. Além dos danos materiais, há o prejuízo arcado pelas vítimas (ou pelo Sistema Único de Saúde) para tratar os ferimentos. Um acidente de trânsito custa muito caro, mesmo sem ter deixado vítimas fatais.
Nem o endurecimento do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), com a definição de pesadas multas para infrações e crimes cometidos por condutores de veículos automotivos, foi capaz de reduzir os altos números. Há países onde não há tanta limitação de velocidade, como a Alemanha, que comemora períodos bastante longos sem acidentes fatais. Aqui no Brasil, porém, falta responsabilidade, prudência e consciência a muitos motoristas e motociclistas que não se furtam em dirigir depois de ingerir bebidas alcoólicas. Ou então atravessar o sinal vermelho, sem se preocupar com a possibilidade de ter alguém atravessando a faixa de pedestres. A perda de vidas humanas é uma tragédia nacional que só com a ajuda dos próprios protagonistas será possível mudar estes números. A continuar esta situação, ainda registraremos a dor de nossos cidadãos diante de tragédias envolvendo veículos automotores. Falta consciência e discernimento aos condutores que, caso não se conscientizarem da sua real importância para mudarem este trânsito assassino, todos continuaremos chorando pelas vítimas inocentes que perecerão em nossas ruas e estradas.
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