Com 62 anos, o empresário e político Paulo Antônio Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) é o entrevistado deste domingo, 13 de agosto.
Filiado ao PMDB, mesmo partido do presidente Michel Temer, Skaf foi candidato ao governo de São Paulo pelo PSB em 2010 e pelo PMDB em 2014. No início desta semana, o empresário foi reeleito para presidir a Fiesp e o Ciesp pelos próximos quatro anos, de 2018 a 2021. Ele, que está no comando da Fiesp desde setembro de 2004, pode completar 17 anos à frente da entidade se concluir o mandato. É também presidente Sesi (Serviço Social da Indústria), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), IRS (Instituto Roberto Simonsen) e Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo); e vice-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Skaf esteve em Franca, no último dia 4 de agosto, para lançar a equipe oficial do Sesi Franca Basquete, nova parceria da instituição, além de participar do projeto “Sexta no Senai”, que abriu as portas da unidade francana para que a população conhecesse os cursos oferecidos. Na ocasião, ele falou ao Comércio sobre a parceria, investimentos no Sesi e Senai de Franca, sobre política (ele não confirma nem descarta disputar as eleições de 2018), além de comentar casos polêmicos como o apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e os rumos atuais da economia.
Qual a relação do Sesi com o esporte?
O Sesi é a maior rede privada de ensino do País e investe pesadamente em educação, um exemplo disso é essa unidade de Franca. Educação da sala de aula, nos laboratórios e, também, na piscina, no campo de futebol, na quadra de esporte. O Sesi investe nesse formato de educação ampla e nessa a relação com o esporte. Não existe no mundo nenhuma escola melhor do que essa em ensino fundamental. Onde você tem instalações, laboratórios, todos os ambientes de primeiro mundo e um parque esportivo como esse, onde você oferece a educação completa.
Por que patrocinar o Franca Basquete?
Dentro da prioridade do Sesi, que é investir nas pessoas e na educação completa, a indústria fez essa parceria com o basquete de Franca. Considerando a história e a tradição que a modalidade tem, com mais de 50 anos na cidade, tendo formado muitos técnicos, jogadores e equipes técnicas, nasceu essa união. Da união da vontade da indústria, por meio do Sesi, com essa tradição e essa história daqui de Franca, resultou o Sesi Franca Basquete. E, sem dúvida alguma, é um grande acontecimento para o basquete brasileiro. Um time altamente competitivo e que tem todas as condições de se destacar em São Paulo, no Brasil e até fora do País. Dando exemplo a milhões de jovens sobre os benefícios da prática esportiva.
Como é essa parceria com o clube de basquete?
O time, com seus jogadores e toda equipe técnica, trabalha para o Sesi. Assim nasceu o Sesi Franca Basquete. Essa é a parceria, eles agora fazem parte do Sesi São Paulo. Vamos investir, ao todo, em um ano, aproximadamente R$ 4.400 milhões. Os jogadores treinam no Sesi e integram a nossa equipe. Essa é basicamente a parceria, chegamos para fortalecer o basquete de Franca. Sesi, com a participação da Fiesp, participação do Franca Basquete e o patrocínio do Magazine Luiza.
Franca possui uma das escolas mais modernas do Sesi. Haverá mais investimentos na cidade?
Na realidade não há mais necessidade de investimentos aqui. Construímos na parte do Sesi e Senai tudo ultramoderno. Então, os investimentos maiores já foram executados e hoje, tanto o Sesi como o Senai de Franca, possuem padrão internacional. O Senai pode ser comparado a a qualquer centro de inovação de tecnologia do mundo; seu centro de design de calçados pode ser comparado a qualquer centro de design italiano e o nosso Sesi pode se comparar com qualquer escola de ensino fundamental do mundo. A educação é uma prioridade para nós, a exemplo do Sesi Franca, construímos uma centena pelo País, buscando a educação completa, na sala, no esport e na alimentação.
A Fiesp foi uma das entidades mais atuantes durante todo o processo de impeachment da presidente Dilma, com a campanha “Não vamos pagar o pato”. Recentemente, com o aumento do imposto do combustível, o pato ressurgiu. Mas a Fiesp teve o cuidado de direcionar o recado ao ministro e não ao governo Temer. Por quê?
Primeiro, a Fiesp teve uma postura, em relação ao caso da presidente Dilma, por que naquele momento ela havia perdido o controle do País. A economia estava caindo 3.6% e 3.8% dois anos seguidos, por que tinham sido acumulados 14 milhões de desempregados. Em um ano, 100 mil lojas e 10 mil indústrias foram fechadas. Então, é natural que a Fiesp enxergasse que não havia como recuperar a economia com um país sem controle e com uma política com uma visão contrária ao desenvolvimento e as reformas necessárias para a recuperação da economia. Ou seja, o Brasil estava ladeira abaixo. Havia uma necessidade de mudança na política e por essa razão tomou a postura a favor do impeachment.
Mas qual então o motivo da mudança de postura em relação aos aumentos?
O “pato” não foi para a rua por causa do impeachment, o “pato” foi para a rua em 2015 numa campanha contra o aumento dos impostos. Ele teve sucesso, era para ser recriada a CPMF naquela época e não foi recriada. Quando começou o governo Temer, também houve ameaça de voltar com CPMF e aumentar impostos, novamente o “pato” reagiu e não houve aumento de impostos. Então posso dizer que essa campanha foi um sucesso. Há uns três meses, o ministro da fazenda ameaçou aumentar impostos, mais uma vez o “pato” e a Fiesp reagiram, fizemos manifestos em nos jornais e mais uma vez seguramos esses aumentos. Há pouco mais de uma semana, o governo promoveu um aumento de imposto. Nos direcionamos ao ministro da fazenda, porque foi ele que anunciou, foi ele que falou. E a reação foi tão forte que, apesar de ter tido esse aumento, posso garantir que não haverá mais aumento de impostos nesse governo.
O senhor acredita que a economia segue melhorando, mesmo com os escândalos políticos?
Não é que eu acredito, nós estamos vendo isso. Esse governo está promovendo reformas estruturais no País e, além disso, a economia já parou de cair desde o final do ano passado. Quer dizer, enquanto na época da Dilma estávamos com uma queda de 3.8% e acumulamos 14 milhões de desempregados, esse novo governo fez com que a queda da economia parasse e começou uma reação, ela é pequena, mas é uma reação positiva. Inclusive o saldo de empregos já foi positivo, então tem que existir um reconhecimento deque as reformas estruturais que o país precisa estão acontecendo. A economia e o emprego começaram a se recuperar.
Como o senhor avalia as denúncias de corrupção contra o presidente Temer e o recente arquivamento das investigações pela câmara?
O Brasil passa um momento de muita dificuldade na economia e na política, como todos nós sentimos. Mas é hora de virar a página. É hora de priorizar o combate ao desemprego e o fortalecimento das empresas. É hora de termos uma agenda real de desenvolvimento econômico. A Fiesp, eu pessoalmente e todos nós temos que, paralelamente ao trabalho que cabe e é obrigação da Polícia, do Ministério Público e da Justiça, de cumprir o nosso papel. Temos mais de 13 milhões de desempregados, milhares de lojas que fecharam, por isso precisamos encontrar uma agenda de desenvolvimento econômico. O Brasil precisa retomar o crescimento e só isso fará com que o desemprego diminua, com que as empresas se fortaleçam e as prefeituras saiam das dificuldades atuais.
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