POLÍTICOS TROCAM APOIO POR CARGOS E VANTAGENS E PARA A VERGONHA DA NAÇÃO
Ainda na época do Brasil colonial, a prática de concessão de benefícios em troca de apoio sempre foi identificada com o nosso País. Títulos de nobreza e cargos públicos eram oferecidos a adversários para que, de uma hora para a outra, mudassem de posição. Parlamentares “vendiam” leis a quem pagasse mais. A prática atravessou séculos e chega hoje, em pleno século XXI, mostrando-se mais forte do que nunca. Disseminou-se, entre a classe política, enraizando-se em todas as instâncias da administração pública, partindo da presidência da República até chegar aos menores municípios brasileiros. Embora se alastre, este tipo de relacionamento causa mal-estar nos eleitores e cria uma série de “atalhos” que acabam desembocando em esquemas de corrupção. A operação Lava Jato está aí para provar.
Desde que o Brasil foi descoberto as coisas acontecem assim. Primeiro, foram os portuguesas que ofereceram espelhos, tecidos e adornos para conseguir a simpatia dos índios e atacar os extensos recursos naturais que a terra descoberta possuia. Mais tarde, a distribuição de terras da colônia recém-descoberta (as famosas capitanias hereditárias) reforçava o apoio à Casa Real Portuguesa. Já no Império, a moeda de troca eram títulos de nobreza e grandes extensões de terra. Hoje, chegamos aos cargos públicos: ministros são empossados em Brasília como um acordo entre o governante de plantão e legendas políticas, o que vem se repetindo nos Estados e Municípios. Os cargos comissionados (sem necessidade de concurso) só incham a máquina pública para garantir o apoio necessário para o Poder Executivo aprovar peças de seu interesse no Congresso, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais.
O presidente Michel Temer (PMDB), na tentativa de se manter a todo custo no poder, aquinhoou deputados “amigos” para que votassem a seu favor. Agora, começa a distribuição de cargos para aumentar o apoio parlamentar às reformas trabalhista e previdenciária. Por isso, que este modelo nocivo precisa ser mudado. Só assim o País poderá sair do buraco em que se encontra. É algo que não se pode admitir e muito menos relevar. Usar a posição para conseguir uma vantagem é típico de um Brasil que não deveria existir mais. Os ventos democráticos que varrem o País há cerca de 30 anos são mais fortes do que este troca-troca abjeto que assistimos impotentes ocorrendo em nosso quintal. O que mais preocupa é que os próprios políticos consideram esta atitude normal. Temer ele mesmo sob suspeição, mantém auxiliares acusados e submetendo as suas ações a legisladores notadamente corruptos. O presidente compra, os comprados acham normal e o País continua no fundo do poço, com a produção industrial estagnada e o mercado de trabalho deteriorado. Até quando?
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