Feliz de quem pode se orgulhar de ter recebido a mais rica herança de seu pai, que é o nome honrado. Com certeza, vale muito mais do que qualquer patrimônio material, que pode ser roubado ou perdido de alguma maneira, enquanto o caráter bem construído é nosso para sempre. Meu pai, Joaquim Rodrigues, foi um homem de pouco estudo, mas de uma enorme sabedoria, conquistada nas lições diárias da vida. Muito trabalhador, começou como seleiro em Pedregulho. Quando meus irmãos mais velhos precisaram prosseguir no estudo que já não havia por lá, vendeu a selaria e veio trabalhar em Franca. Não passou muito tempo e ele começou a vender calçados. Foi vendedor do Ruy de Melo, do Agabê, do sr. Guerra, entre outras fábricas, viajando pelas estradas de terra, comendo muita poeira, já que o asfalto era de Ribeirão Preto pra frente. E assim criou os quatro filhos, cuidando também de minha mãe, dona Antônia, que morreu muito nova, vítima de um câncer. Naquela época era tudo particular, inclusive os medicamentos, diferente dos dias atuais. Vendeu quase tudo o que tinha, para não ficar devendo nada a ninguém. Apesar de todas as dificuldades, nunca nos faltou o essencial. Tenho o maior orgulho de ter ouvido, por várias vezes, donos de fábricas para quem ele vendia calçados, referir-se ao “seo Joaquim” como o homem mais honesto e correto com quem trabalharam. E isso ele passou para os filhos, pois foi o exemplo que sempre tivemos. Ele não ficava ensinando, apenas agia corretamente e deixava os filhos verem e aprenderem.
O garotinho à frente dos seus pais? Ninguém menos que o Helinho, atual técnico da equipe.
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