Poderia ser


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Poderia ser quadro antigo pintado por algum artista italiano. Mas não é.

Poderia ser imagem para ilustrar poema que falasse de tempo perdido, pelo semblante triste do modelo. Mas não é.  
 
Poderia ser imagem montada para ilustrar o poema Solidão, poema ainda não criado. Mas não é. 
  
Poderia ser algum parente longevo – irmão do pai, da mãe, do avô de qualquer um de nós. Poderia ser até o avô da gente. Mas não é.
 
Poderia ser um guardião do tempo, pelo modelo ultrapassado do chapéu. Mas não é. 
 
Poderia ser alguma montagem fotográfica, mas não é. 
 
Poderia ser uma personagem à procura de um autor. Mas não é. 
 
Era apenas um homem que suponho italiano porque estava em Firenze,  
que usava chapéu fora de moda, 
sizudo, 
pensativo,
sentado à porta daquela que suponho ser sua casa, 
à espera de algo que desconheço
e jamais saberei.  

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