O ex-deputado federal Dr. Ubiali (PSB) foi denunciado novamente à Justiça pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público) no escândalo que ficou conhecido como “farra das passagens áreas” e envolveu centenas de deputados. Ele nega ter cometido irregularidade.
O caso veio à tona em 2009, quando o site Congresso em Foco denunciou o fato de os deputados utilizarem a cota de passagens aéreas da Câmara para familiares e terceiros.
Em 2016, Ubiali e outros 442 deputados e ex-deputados já haviam sido denunciados ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (DF). Mas o Tribunal não chegou a analisar as denúncias. Como muitos deputados já haviam deixado o cargo, o TRF entendeu que era preciso desmembrar a denúncia e devolveu o caso para o Ministério Público Federal, que apresentou uma nova denúncia nessa terça.
Agora, em vez de 443 deputados, foram denunciados 72 que tiveram gastos entre janeiro de 2007 e fevereiro de 2009. O restante havia gastado com passagens em anos anteriores e o Ministério Público entendeu que o crime já havia prescrito.
Entre os denunciados novamente, está Ubiali. Segundo o MPF, ele teria utilizado no período 115 passagens aéreas, no total de R$ 63,1 mil. Entre elas, estariam 11 bilhetes que ele teria usado para seis pessoas - entre familiares e assessores - em 11 voos para os Estados Unidos, Itália e Alemanha. Ubiali teria viajado de avião com a mulher e a filha para os Estados Unidos, em outubro de 2007. O destino seria Miami e a volta teria partido de Nova York. O filho do deputado teria feito o mesmo trajeto no mês seguinte.
Também aparecem duas viagens de sua então assessora, Cláudia Cursino, para Milão, na Itália. Uma outra passagem com destino a Frankfurt, na Alemanha, estaria em nome de uma pessoa que a assessoria de Ubiali alegou, na época, não saber de quem se tratava.
Ubiali nega ter cometido irregularidade
O ex-deputado federal Dr. Ubiali (PSB) negou que tenha praticado qualquer irregularidade enquanto exerceu seu mandato.
Ontem, Ubiali disse que, à época, a emissão de passagens áreas pagas pela Câmara não tinha qualquer exigência. “Era como um vale-transporte comum. Não se exigia que fosse em nome do deputado. Podia-se gastar como a gente bem entendia. Era uma espécie de cota.”
Ubiali afirmou também que a emissão de suas passagens foi autorizada pela Câmara. “Não tinha nada irregular. Todas as passagens foram autorizadas. Era uma prática comum.”
Ubiali disse que não foi notificado sobre a denúncia. “Ainda não estava sabendo da denúncia. Não recebi nada. Mas estou tranquilo. Quando for notificado, vou responder e me defender”.
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