Brasil, o país da ‘gambiarra’


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TRANSFORMAR CDP EM PRESÍDIO É PROVA DA INCOMPETêNCIA DOS GOVERNANTES
Não é possível que o Brasil ainda continue sendo administrado do mesmo jeito que se fazia no início do século passado. As transformações em todos os campos nestes pouco mais de cem anos são evidentes, mas parece que nossos agentes públicos, principalmente os políticos, eleitos pelo voto popular, ainda se encontram parados no tempo. Criou-se um hiato entre a realidade e a percepção daqueles que nos governam. Ainda hoje, quando a internet transformou o mundo em uma aldeia global, no Brasil exigem-se papéis, carimbos e assinaturas que se transformam num calvário para qualquer pessoa que queira abrir um negócio ou até precise provar a sua própria identidade. Esta é apenas uma constatação dentre as centenas de outras que povoam o nosso cotidiano.
 
Pouco do que se faz no Brasil é planejado. As gambiarras dominam, desde o “gato” nas ligações de energia elétrica ou TV a cabo até obras públicas de porte. No país da propina o que mais se vê são verdadeiros ‘elefantes brancos’ começados e nunca terminados, consumindo um grande volume de recursos dos cofres públicos — ou seja, nosso dinheiro — que seguem, na maior parte, para o sorvedouro da corrupção sustentado por políticos e empresários. Obras são anunciadas e abandonadas, a improvisação toma conta das decisões e a população que deveria ser consultada acaba sendo relegada a segundo plano. É o caso da decisão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de transformar o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca em presídio. Tomada de forma autocrática, sem que os maiores interessados fossem ouvidos, a transformação serve para ampliar a sensação de insegurança não apenas no nosso município, mas também nos vizinhos.
 
Nos últimos anos, o governador Alckmin tem agradecido de forma perversa as dezenas de votos que sempre recebeu por aqui, em todas as suas campanhas eleitorais, seja para governador seja para a presidência da República. A necessidade de novos presídios é patente, diante de um sistema carcerário superlotado e sem condições de promover a recuperação dos presidiários. Mas a forma como o governador agiu demonstra a total falta de planejamento administrativo, além do distanciamento que mantém com a população (e isso não acontece apenas aqui, mas em outros pontos do Estado). Porém, há regiões melhor aquinhoadas do que outras. Ribeirão Preto, atualmente dirigida por um prefeito tucano, recebe benefícios, enquanto Franca perde até conquistas anteriores. Até quando esta mentalidade vai mudar? Trazer um presídio capaz de receber marginais perigosos, das mais variadas regiões do Estado, é um verdadeiro castigo para toda uma região que precisa ser melhor cuidada pelos administradores eleitos. Franca não merece isso.
 

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