Tivemos, no Amazonas, uma eleição temporã, que procura escolher o novo governador do Estado. De sete candidatos, restaram para concorrer no segundo turno dois ex-governadores — Amazonino Mendes (PDT) e Eduardo Braga (PMDB) — cujos partidos são denunciados por prática de corrupção eleitoral, mesmo motivo que levou à cassação do governador José Melo (Pros), a quem o eleito substituirá. Demonstração de que as novidades políticas não são significativas para a disputa naquele estado. E assim é em todo o território nacional, onde as práticas mantêm os mesmos no poder e faz dos demais apenas coadjuvantes do chamado jogo democrático.
O quadro, infelizmente, tende a ser idêntico no próximo ano, quando seremos chamados a eleger o novo presidente da República, governadores estaduais, senadores e deputados federais e estaduais. Os grandes partidos, fortalecidos pelos esquemas de corrupção que hoje povoam o noticiário, têm mais chances de manter seus caciques. Acontecem as eleições e nada muda.
Como resultado dos malfeitos eleitorais apurados, está proibida a doação empresarial para campanhas, partidos e candidatos. Fechadas as torneiras das empreiteiras que fraudavam e superfaturavam obras governamentais, as eleições restam sem recursos para o custeio. Corre-se o risco de partidos e candidatos utilizarem o caixa dois ou — o pior — receberem aporte do crime organizado para fazer frente às despesas. É um problema que carece de urgente solução.
Para valer nas próximas eleições, todas as alterações à legislação eleitoral têm de estar votadas pelo parlamento — Câmara dos Deputados e Senado — e sancionadas até a véspera do dia 2 de outubro próximo, quando começará a vigorar o calendário eleitoral de 2018. Governo e congressistas precisam agir rápido, se não quiserem ter as eleições mais magras da história.
A tendência é termos mais do mesmo. Muitos partidos, conchavos eleitoreiros, negociação de cargos e manutenção da política de coalizão. Não há garantia de viabilidade nem mesmo de conclusão da reforma trabalhista e da reforma previdenciária que o governo insiste em realizar. A partir de agora, a tendência é os parlamentares fugirem de temas polêmicos que possam comprometer suas imagens junto ao eleitorado...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente e dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo
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