Criminalidade que preocupa


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CADA VEZ MAIS NOS TRANCAMOS EM CASA ENQUANTO BANDIDOS TOMAM AS RUAS
Reportagem do Comércio em sua edição do último dia 4 mostra uma realidade que vem tomando conta do País: famílias começam a se trancar dentro de suas casas, diante de uma violência crescente que atinge não apenas as metrópoles, mas também as cidades médias (como Franca) e pequenas. Muros cada vez mais altos, cercas elétricas, monitoramento eletrônico e alarmes deixaram de ser uma exclusividade das famílias mais abastadas, em bairros de classe alta e mansões suntuosas, e já atinge a classe média. Por onde se anda em Franca são vistas casas fortificadas e cercadas, sem crianças nas ruas, mostrando que seus moradores estão encarcerados enquanto os marginais continuam à solta, tomando conta das ruas.
 
Segundo a reportagem, apenas no primeiro semestre deste ano, ladrões já fizeram quase 4 mil ataques em Franca, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Não por acaso, nos últimos anos um dos setores que mais cresceram foi o de segurança pessoal. Até quando esta inversão vai continuar, deixando gente de bem trancada e a marginália solta?
 
Ninguém está a salvo. Roubam-se tênis, telefones celulares, relógios e qualquer coisa que possa ser trocada por entorpecentes. Deixar o carro trancado na rua também não é garantia de segurança: a maioria é roubada assim. Mata-se fácil e à toa. Nunca a vida humana valeu tão pouco. E não adiantam aumentar o efetivo policial, câmeras de vigilância por toda parte ou mesmo uma chamada tolerância zero da polícia. Se não houver uma atitude para tornar nosso leniente Código Penal mais severo, deixando a condescendência de lado, não será possível mudar totalmente o quadro que se desenha para o futuro. E a continuar assim, ele será apocalíptico.
 
Todas as instâncias da vida nacional precisam, hoje, se unir e atacar, com muita seriedade e sem demagogia, os pontos fracos da legislação penal brasileira, na qual as brechas permitem uma impunidade revoltante a bandidos perigosos. Se as penalidades não forem endurecidas, acabando com a sensação de impunidade que dá coragem aos criminosos em suas atividades, continuaremos à mercê desta violência sem limites que domina a vida brasileira. Em outros países, como EUA, França e Espanha, a criminalidade não domina tanto o cotidiano. Diante do que vivemos aqui, sentenças mais longas e extinção de benefícios incompreensíveis, como o instrumento da prisão em flagrante, são necessárias para que possamos voltar a andar com mais tranquilidade pelas ruas. Este seria um primeiro passo que levaria a outros capazes de voltar a dar ao brasileiro a sensação de segurança que ele vem perdendo nas últimas décadas.
 

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