Francano de formação e coração, ele está de volta. E, aos 24 anos, está na melhor fase da carreira: campeão do NBB (Novo Basquete Brasil) e recém-convocado para a Seleção Brasileira de Basquete, que disputa a Copa América entre agosto e setembro deste ano. Formado no Franca, onde ficou de 2011 até 2015, o ala Leonardo Simões Meindl, o Léo Meindl, é uma autêntica prata da casa. Nas últimas duas temporadas, ele defendeu o rival Bauru. Na mais recente edição do NBB, o ala atingiu médias de 12,6 pontos, 4,6 rebotes e 3,1 assistências por partida e foi um dos destaques do time.
Tudo isso faz parte de um passado feliz. O presente é o Sesi Franca Basquete, onde Léo almeja conquistar títulos, especialmente o Campeonato Paulista e o NBB desta temporada, e utilizar a força da torcida apaixonada para enfraquecer os adversários. O futuro? O ala pensa grande. “Sonhei e sonho em jogar na NBA”, disse. Confira a entrevista concedida pelo ala ao Comércio.
Dois anos depois e você está de volta a Franca. Pode dizer que, enfim, está novamente em casa?
Com certeza. Estou muito feliz em retornar para minha casa. Fiquei esse tempo fora, mas agora estou de volta para minha família e minha cidade.
Qual a expectativa para os reencontros com a torcida francana nos próximos jogos?
São as melhores possíveis. É uma torcida apaixonada pelo basquete e sei como ela funciona. Sei que estarão do meu lado e do time tanto nos bons momentos quanto nos períodos difíceis.
De 2011 a 2015, você vestiu a camisa do Franca. Depois, foi para o time de Bauru. O que pesou para sua saída e o que você levou em consideração?
Joguei quatro temporadas pela equipe de Franca. Estava realmente em casa. Mas, naquele momento, eu precisava de novos desafios, ganhar maturidade, jogar ao lado de atletas mais velhos que eu e, assim, adquirir um pouco mais de experiência. O que também pesou foi que eu queria lutar por títulos, como quero muito agora. Por isso, optei pela saída.
Aos 24 anos, você foi um dos grandes destaques do NBB pelo Bauru e deu trabalho para o Franca. Como encarava a até então rivalidade com o time?
Sempre encarei como um profissional e com naturalidade. O basquete tem dessas coisas mesmo. Cheguei a enfrentar meu pai, quando ele trabalhava na comissão técnica do Franca Basquete (o pai de Léo é o ex-pivô Paulo César Reis Meindl Von Berger, o “Paulão”, destaque da Seleção Brasileira na década de 1980), e o Lula Ferreira (Aluísio Elias Ferreira Xavier, ex-técnico do time durante a primeira passagem de Léo e atual gestor das áreas administrativa, educativa e social da entidade), por quem tenho um grande carinho. Apesar disso, eu só pensava em defender a camisa que eu vestia e atuar da melhor maneira possível.
Além de usar a camisa 23 nos times por onde passou, em uma homenagem a Michael Jordan, em quais outros jogadores você se espelha?
Sou um grande fã do Jordan. Mas, quando eu era garoto, minha real vontade era usar o número 14, o mesmo do meu pai. Sempre me espelhei nele. Porém, como meu irmão (Eduardo Meindl, o Dudu, que também jogava) é um pouco mais velho que eu e somos próximos na idade, ele escolheu primeiro e eu optei pela 23. Com esse número, conquistei minhas coisas, obtive sucesso e, por isso, nunca mais troquei.
Você trabalhou com o Lula Ferreira, a quem já atribuiu parte de sua formação como jogador. Agora, terá Helinho Garcia como técnico e mentor dentro das quadras. Como é, para você, trabalhar com ídolos do basquete regional e nacional?
Fico muito feliz em poder dizer que o Lula foi o cara que apostou em mim quando eu era um garoto. É um ídolo nacional. Conquistou vários títulos na carreira, como os campeonatos do NBB (Novo Basquete Brasil). Foi técnico de seleções e grandes times. Grande parte do meu sucesso devo a ele, por ter acreditado em mim e no meu potencial. Quanto ao Helinho, devo dizer que estou muito feliz e honrado em fazer parte desse time. Estou gostando muito de trabalhar tendo ele como técnico. É alguém com quem já joguei e conheço também como pessoa.
O que você vê de vantagem no Sesi Franca Basquete perante os outros clubes?
São muitas! Uma das mais relevantes é essa união entre algo tão gigantesco quanto o Sesi e uma cidade cujo basquete é um dos mais fortes do País; é uma coisa que pesa muito e traz grande vantagem. São dois grandes nomes trabalhando por um mesmo objetivo. Isso tende a trazer apenas coisas positivas. Outro ponto é o clima de família e união que essa equipe tem. Em pouco tempo, já senti que, aqui, há muita vontade e empenho para vencer.
A NBA (principal liga de basquete da América do Norte) é um sonho próximo? Algum time de coração?
Não tenho (risos). Amo assistir, mas não torço para nenhum time em especial. A NBA é algo que sempre sonhei e ainda sonho. Acho que, quando acreditamos, sonhamos, trabalhamos e lutamos, é possível conseguir. Não sou diferente nisso. Estou trabalhando muito e continuarei treinando para isso. Continuarei fazendo o que sei fazer de melhor. Espero que, um dia, se eu tiver oportunidade, eu possa jogar lá.
De filho de jogador, você saltou para um dos protagonistas do basquete nacional. Recentemente, foi convocado para a Copa América. A que atribui essa convocação e como se preparou para esse momento?
Devo atribuir essa conquista às pessoas que, de alguma forma, fizeram parte da minha carreira e me ajudaram a chegar até onde estou, principalmente minha família. Foram muitas horas de dedicação e treinamento para conseguir essa convocação mais uma vez. Abri mão de algumas coisas para treinar e conseguir chegar até aqui.
Já nesta segunda-feira, você se apresenta em Pindamonhangaba (SP) para os preparativos da Copa América. O que espera da competição e quais desafios pessoais você tem pela frente?
É um campeonato muito complicado, pois são as melhores seleções do continente se juntando para a disputa de um título. Sabemos que o desafio é grande, mas, com certeza, estaremos preparados para fazer o melhor lá e podermos sair com a conquista. Ser campeão da Copa América é um dos desafios próximos que tenho pela frente, bem como ganhar o Campeonato Paulista e o NBB mais um ano, agora pela minha cidade. Outros desafios mais distantes são conseguir jogar na Europa e na NBA. Sempre busco situações desafiadoras que sei que vão me fazer crescer e amadurecer.
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