Chegou da lida, e a mãe falou baixinho.
— Ela passou mais o pai e mais o Tonho Tropeiro.
Lavou-se na bica, comeu, vestiu a camisa de gola, de manga comprida, penteou o cabelo, subiu na porteira, ficou espiando as maravilhas do mundo.
O sol acabou devagarinho, que nem lamparina sem óleo. Como a lua não veio, então boiadas de vaga-lumes vieram para o curral, para o terreirão ao lado da casa. Os chiados, os zumbidos, os coaxares vinham da lagoa, do matinho. Uma belezura só. Maravilha maior só mesmo o sorriso dela, quando ele abrisse a porteira, desse boa-noite para todos, e acompanhasse a amazona com os olhos – cena sempre nova, embora repetida através de anos.
A demora diminuía o encanto da noite. Fez a lamparina aparecer muitas vezes na janela. Teve dó do dó da mãe.
De repente, o barulho de cascos nos pedregulhos.
Alguma coisa doeu em algum lugar, ao perceber que só um cavaleiro cortava o escuro do caminho. Desceu, puxou a taramela, abriu a porteira.
— Boa-noite, Tonho. Cadê o pessoal, uai.
— Volta mais não, moço Jovino. Diz que vendeu o sítio... porteira fechada.... Embarcaram... A menina parecia manteiga derretida... O pai diz que não voltam nunca mais não...
Levantou bem antes do sol, sumiu na estrada, levando no embornal uma troca de roupa. Voltou um mês depois, barbudo, osso só.
— Cidade demais, mãe... tudo grande demais... não adianta campear, mãe...
À tardinha, lavou-se, vestiu a camisa de gola, subiu na porteira, esperou a noite chegar. Chegaram muitas. Chegou para o pai, chegou para a mãe. E tudo continuou igual.
Jovino chega da lida, banha-se, veste camisa colorida, de gola, de manga comprida. Senta-se na porteira e espera.
Seus olhos repousam em lugar nenhum. Lua cheia vem e vai, pirilampos vagalumeiam, bichos coaxam na lagoa, curiangos gritam lá longe...
E nada lhe abre a porteira do sítio esturricado do peito.
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