Um reajuste inapropriado


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FRANCANO CONTINUA PAGANDO UMA DAS MAIORES TARIFAS DE ôNIBUS DO BRASIL
 
Desde ontem os mais de 60 mil usuários do sistema de transporte público de Franca pagam mais caro pela passagem de ônibus com a entrada em vigor do novo valor da tarifa, que passa de R$ 3,80 para R$ 4,10, um reajuste de R$ 0,30. O aumento vinha sendo discutido desde fevereiro, quando a Empresa São José protocolou o pedido para que a tarifa subisse para R$ 4,65. O prefeito Gilson de Souza (DEM) tentou negociar e no mês passado congelou o preço da tarifa por um mês, mas acabou cedendo e autorizando um aumento de 7,9% (mais que o dobro da inflação no período, de 3%, segundo o IBGE). Gilson ainda conseguiu um acordo onde a empresa passa a cobrar R$ 1 aos domingos, cumprindo uma promessa de campanha. Assim, Franca mantém uma das mais altas tarifas do transporte urbano no País, que passa por uma crise econômica em precedentes e com número elevado de desempregados (quase 14 milhões).
 
Têm razão os vereadores Corrêa Neves Jr. (PSD), Pastor Otávio (PTB) e Marco Garcia (PPS) ao se manifestarem contra o reajuste que, além de excessivo, prejudica ainda mais o trabalhador francano. Além do que não há qualquer levantamento da Prefeitura que o justifique: o Poder Público não fiscaliza o serviço e, muito menos, acompanha a movimentação econômica da São José. A título de comparação, a tarifa do transporte coletivo subiu igualmente em Ribeirão Preto, após o aumento da alíquota dos impostos incidentes sobre a comercialização de combustíveis. Na vizinha cidade, o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) concedeu reajuste de 3,9%, elevando a tarifa dos R$ 3,80 para R$ 3,95. O detalhe é que lá a frota de coletivos é maior, as linhas mais extensas e são transportados mais do que o dobro de passageiros diariamente, em comparação com Franca.
 
E não adianta apontar a redução do valor da passagem nos domingos. Neste caso, só terão direito à tarifa menor os usuários que tiverem o cartão eletrônico. Quem pagar em dinheiro terá que desembolsar o valor cheio, de R$ 4,10. Como há redução no número de coletivos e de usuários aos domingos, o impacto é negativo para quem paga para se deslocar pela cidade. O certo seria manter o valor, o que traria benefícios para um público maior. O trabalhador francano, que depende dos ônibus da São José pelo menos quatro vezes ao dia, é obrigado a desembolsar R$ 16,40/dia (R$ 82/semana e R$ 328/mês, isso sem contar deslocamentos eventuais). É um valor elevado para quem trabalha de segunda a sexta-feira, ganha até dois salários mínimos e ainda precisa arcar com custos de moradia, alimentação e vestuário. É preciso que a Prefeitura estabeleça uma metodologia própria de acompanhamento para não deixar a população à mercê de uma empresa que define os próprios reajustes sem contestação.

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